A desvalorização de um automóvel é algo tão inevitável como o nascer do sol. Democrática, ela atinge todos os modelos e marcas, mas torna-se mais implacável à medida em que os anos avançam, principalmente para aqueles que um dia já foram um carro zero e transformaram-se em “velhinhos”.
Entretanto, já que não é possível impedir a perda de valor de um veículo pela ação do tempo, deve-se ficar atento para que ela não se agrave. E conseguir isso não é complicado. Segundo o garagista bauruense Adalberto Gonçalves, manter as características originais e o bom estado de conservação são as principais receitas para que a desvalorização de um automóvel não seja tão alta.
Para ele, além da aceitação de um veículo no mercado desde o seu lançamento, estes dois itens interferem diretamente no valor de uma futura revenda. “Em um usado com mais de dez anos o que importa é o seu estado de conservação. Já um seminovo tem por obrigação estar praticamente impecável”, considera Adalberto.
O garagista ressalta que, mesmo nos usados mais “velhinhos”, há certos itens que ajudam a valorizar e desvalorizar um carro. “Ter direção hidráulica, ar-condicionado e trio elétrico representa entre R$ 1 mil a R$ 2 mil no custo final do veículo”, explica.
Entretanto, alerta ele, o proprietário nunca recuperará o valor total investido nesses equipamentos. “Em carros zero quilômetros eles chegam a custar cerca de R$ 5 mil, mas no momento de uma futura revenda o valor agregado será, no máximo, metade dessa cifra”, garante Adalberto.
Mas se há riscos na pintura, amassados ou ferrugem na lataria, estofamentos rasgados e pneus desgastados a desvalorização é certa. “Hoje um particular quer um carro perfeito de manutenção. As pessoas não querem mais preocupar-se, e conseqüentemente gastar dinheiro e tempo para consertá-los”, frisa o garagista.
Adalberto também destaca que a instalação de acessórios com o objetivo de agregar valor ao carro nem sempre constituirão garantia de venda futura. “Rodas esportivas, bancos de couro e som ajudam e são diferenciais na hora da comercialização, mas não são fundamentais”, destaca ele.
Além disso, o proprietário da garagem enfatiza que certos modelos desvalorizam ou valorizam naturalmente mais do que outros no mercado. “Com dois ou três anos de uso, carros luxuosos chegam a perder 40% do seu valor inicial, pois são mais caros e a procura é menor”, diz.
Já no caso dos veículos “populares”, a situação é diferente. “Eles não desvalorizam muito, pois perdem de 10% a 15% em dois e três anos. Isso porque possuem demanda muito maior e são tidos como bons de venda”, sustenta ele.
Concessionárias
Assim como as garagens, as concessionárias também priorizam a conservação mecânica e estética do usado para efetuar uma revenda. Para o gerente de seminovos Carlos Alberto Semenara, da Meta/Fiat, o ar-condicionado, a direção hidráulica e o trio elétrico são itens fundamentais para garantir a valorização de um auto.
Entretanto, modificações que alteram as características originais não são bem vistas pelo mercado e, por essa razão, contribuem para desvalorizar o carro. “Rebaixar a suspensão, por exemplo, é bom apenas para quem gosta de apelo esportivo, mas causa uma série de transtornos para o conforto”, salienta Semenara.
Para o gerente, outros fatores determinantes tanto para a revenda quanto para valorização do negócio são a qualidade e as condições que as agências oferecem como garantia aos veículos. “Os compradores também querem garantia nos usados, como motor e câmbio, e até algo mais daquilo que é imposto por lei. Atualmente, os clientes estão muito mais criteriosos”, considera ele.
Em relação aos modelos, Semenara entende que os veículos 1.0 são os mais valorizados, enquanto os de motorização mais potentes são os que mais perdem valor. “Os primeiros levam vantagem principalmente devido à economia de combustível. Já os outros desvalorizam-se porque passam a impressão justamente de consumo maior”, diz o gerente.
Além de seguir o mesmo raciocínio em relação à importância da conservação e da originalidade do automóvel para sua valorização ou desvalorização, o integrante do departamento de usados da Normandie/Peugeot, Mauro Rolim, aponta tendências para o mercado.
Segundo Rolim, em detrimento dos carros duas portas seminovos, os mais valorizados atualmente são os sedãs quatro portas com porta-malas individual e demais veículos quatro portas 1.0. “São os mais procurados”, destaca ele.