O prefeito Nilson Costa deverá mesmo trocar o PPS pelo PTB. Ele informou ontem que vai a São Paulo na terça-feira para um encontro com o deputado federal Luiz Antonio Fleury Filho (PTB). Também devem participar da reunião o deputado estadual Campos Machado e Nabi Abi Chedid - ex-deputado estadual -, membros da executiva do PTB.
A virtual filiação do prefeito ao PTB está cercada de especulações e incertezas. Até o próprio Nilson ainda tem dúvidas de que vai conseguir concretizar seu projeto político de trocar de partido.
Nos bastidores, comenta-se que Fleury e Campos Machado disputam uma queda de braço para definir quem vai comandar o PTB paulista. Reside aí a dúvida do prefeito em relação à sua filiação ao PTB, já que as articulações envolvem diretamente Fleury e Nabi Abi Chedid, com Campos Machado acompanhando à distância.
Mas Nilson não esconde seu objetivo político. “Quero criar uma nova situação política em Bauru. Todos os políticos que estão se movimentando agora visam as eleições do ano que vem, mas não exatamente em torno de candidaturas, mas em torno da formação de um grupo de sustentação política”, explica.
O prefeito esclarece que se realmente vingar sua filiação no PTB, o PPS será mantido na estrutura de sustentação política da administração municipal. “Vamos dar a todos os militantes políticos o ensejo de escolher o caminho.”
Ele garante que a intenção de se filiar ao PTB não prevê nenhuma conotação de candidaturas ou de nomes. “É uma tomada de posição porque acho que o PTB está se configurando como um partido de expressão nacional.”
O prefeito dá sinais de que não está preocupado com as resistências petebista, como é o caso do vereador Milton Dota Jr., que já declarou que se desfilia do partido no mesmo dia em que o chefe do Executivo assinar sua ficha. “Cada político é dono do seu próprio nariz. O vereador Dota Jr. afirmou que se eu entrar ele sairá. É uma posição dele.”
Ainda ontem, o deputado Campos Machado se manifestou sobre a provável filiação de Nilson ao PTB. Ele diz que tem “apreço” pelo prefeito. “O Nilson sempre foi extremamente simpático comigo, mas o candidato a prefeito de Bauru pelo PTB será o ex-deputado Carlos Braga, que é filiado ao partido há vários anos e que tem compromisso com a história e e tradição da legenda,” avisa.
Há um mês
As especulações de que Nilson estava articulando sua saída do PPS para se filiar ao PTB não são novas. O assunto foi adiantado pelo JC no final do mês passado balizado por sinais de descontentamento com o partido e com seus vereadores, mas esses motivos foram desmentidos na seqüência pelo prefeito.
Na época, ele alegou que sua intenção era configurar um novo desenho político para a cidade. Disse, ainda, que havia uma movimentação, comandada pelo ministro Ciro Gomes, que visava uma debandada de parlamentares, prefeitos e vereadores do PPS para o PTB.
A notícia surpreendeu tanto a membros do PPS como do próprio PTB. O deputado estadual Arnaldo Jardim, integrante da executiva do PPS, ficou sabendo da intenção de Nilson pela imprensa. Preferiu evitar as críticas, mas não deixou de dar cutucadas.
O ex-deputado estadual Carlos Braga (PTB) também foi surpreendido com a notícia. Responsável pelo comando do PTB municipal, Braga, através de sua assessoria, disse que a eventual filiação do prefeito ao partido não passava por ele. E mais: afirmou que dividir o PTB com o grupo político de Nilson não estava nos seus planos. Ontem, sua assessoria reafirmou esta posição.
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Porquê da mudança
A possível filiação do prefeito Nilson Costa ao PTB passa por um cenário mais amplo. O PTB é, hoje, alinhado aos governos estadual e federal. Este é um primeiro ponto de convergência das duas partes: Nilson ficaria com portas mais abertas nas administrações Geraldo Alckmin (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O PTB, com novo comando estadual e federal, ampliaria suas bases em Bauru, já que contaria com mais um prefeito em suas fileiras.
O novo comando estadual do PTB, que tem agora Nabi Abi Chedid (ex-PSD) e Luiz Antonio Fleury Filho, nasceu da fusão dos dois partidos, sob a sigla PTB. Um dos motivos foi a imposição da chamada “cláusula de barreira”, que dá vida mais regular a partidos que tenham pelo menos 5% de representação no Congresso Nacional. Antes da fusão, o PTB tinha 4,6% e o PSD cerca de 0,7%. Juntos, ambos superam este obstáculo da legislação eleitoral.
No plano prático, a somatória de forças dividiu o comando estadual, até então sob controle absoluto do deputado Campos Machado. Não se tem notícia de racha até agora entre as partes.
Outra motivação de Nilson é a possível fusão do PPS com o PTB em todo o País. E mesmo que isso não ocorra (o grupo do deputado Roberto Freire é refratário), Ciro Gomes, líder de maior expressão do PPS, pode se filiar à sigla trabalhista. Ciro é ministro da Integração Nacional de Lula. Além disso tudo, o PTB tem três cadeiras na Câmara de Bauru (atualmente, Milton Dota Jr., Roberto Bueno e José Walter Lelo Rodrigues). Nilson pode precisar de votos no futuro. Há ainda o aspecto do tempo de propaganda na TV e no rádio em períodos eleitorais e o fato de que o PPS não deixará de ficar nas mãos do grupo político do prefeito. Trata-se de uma oportunidade rara para Nilson Costa.