Os vereadores filiados ao PTB e ao PPS analisam com cautela a decisão do prefeito Nilson Costa. A maioria deles acha que a manobra política do prefeito ainda não está desnudada por completo, a ponto de se poder afirmar com segurança qual a sua real intenção com a mudança de partido.
O vereador José Walter Lelo Rodrigues, do PTB, não esconde que a virtual filiação do prefeito poderá acarretar desgastes ao partido, devido a fase conturbada na qual está mergulhada a administração municipal.
“Mas quem está na vida pública corre o risco de ser denunciado. Na filiação de um homem público a um partido deve-se levar em consideração a sua folha corrida de prestações de serviços. O prefeito é um homem público escolhido pela população”, diz.
Para Lelo, a filiação de Nilson ao PTB não significa, necessariamente, que os vereadores do partido representados na Câmara vão lhe dar apoio incondicional. “O PTB de Bauru sempre se pautou por uma linha de conduta sem patrulhamento, inclusive nas votações referentes ao Executivo. Creio que isso terá continuidade. Não podemos ser um boneco”, avisa.
Já o vereador Roberto Bueno (PTB) prefere acreditar que Nilson vai chegar ao PTB para “somar” com a direção e a militância do partido. “O prefeito deverá reunir os petebistas para colocar a eles, de maneira clara e objetiva, seus projetos, metas e compromissos em relação ao município. Se tiver essa pré-disposição, será bem recebido”, prevê.
Mas há, também, oposição petebista à filiação de Nilson. O vereador Milton Dota Jr. (PTB), por exemplo, prefere aguardar o encontro de hoje do prefeito com as lideranças do partido para se pronunciar sobre o assunto.
“Não posso tomar nenhuma atitude sem antes saber o resultado da reunião de amanhã (hoje). Mas uma coisa é certa: em Bauru, os petebistas são contra, por unanimidade, a filiação do prefeito.”
“Braço do PPS”
A repercussão da filiação de Nilson ao PTB entre os vereadores do PPS foi cautelosa, à exceção de Edmundo Albuquerque, que chegou a ser seu líder na Câmara Municipal. “Espero que o PPS não seja um braço político do prefeito. Se isso ocorrer, terei que me desfiliar do partido”, afirma.
Visivelmente descontente com a conduta político-partidária do chefe do Executivo, o parlamentar do PPS critica a forma como o prefeito conduziu seu futuro. “Se tivesse me consultado sobre o assunto, poderíamos ter discutido mais demoradamente.”
Já a principal preocupação do vereador Leandro dos Santos com a desfiliação do prefeito é o esvaziamento do PPS, partido a qual está filiado. “Perdemos o nosso principal líder. Por enquanto, não vou me desfiliar da legenda”, informa.
O recém-empossado vereador José Zito (PPS) diz que ainda não conversou com Nilson sobre o assunto. “Me parece que é uma estratégia política. Se ele (Nilson) estiver buscando uma parceria, novos apoios, acho interessante.”