Cultura

Aprendendo a brincar

Da Redação
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Materiais que normalmente iriam para o lixo, como galhos de árvores, garrafas de plástico e papelão servem de matéria-prima para as oficinas de arte do professor e educador ambiental Guilherme Reis Pereira, o Tio Gui. Voltadas para o público infanti-juvenil, as atividades visam estimular a confecção de brinquedos produzidos pelas próprias crianças e resgatar as brincadeiras populares em grupo.

Trabalhando com crianças há oito anos, Tio Gui, coordenou a primeira edição do projeto “Faça e Brinque com o Tio Gui”, atividade promovida pelo Departamento de Marketing do Jornal da Cidade e Ateliê de Artes Tio Gui.

O evento foi realizado no último domingo, reuniu aproximadamente 100 crianças e transformou o estacionamento do JC em uma verdadeira fábrica de brinquedos. (As imagens do evento podem ser conferidas no site do jornal: www.jcnet.com.br)

Os brinquedos que fizeram a cabeça das crianças no passado também fizeram grande sucesso no projeto desenvolvido na manhã de domingo. “Fabricamos um pião com as sete cores do arco-íris para desenhar um disco de Newton utilizando galhos e lixa”, conta Tio Gui. “Construímos também um aeromodelo com papelão. A cada vôo, era um sorriso que explodia”, comemora.

Tio Gui explica que o objetivo do trabalho é enfocar o lazer sadio, trazendo de volta as brincadeiras antigas. Ele observa que as oficinas de arte estimulam a imaginação e criatividade dos pequenos, além de desenvolver habilidades manuais.

“A criança não precisa ir até uma prateleira e comprar, pois o brinquedo é feito por ela”, diz o professor de artes, ressaltando que o trabalho manual acaba diminuindo o interesse infantil pelos nem sempre positivos jogos de computador.

O professor ressalta o caráter artístico e educativo das oficinas. “Fizemos um quadro com massinhas de modelar que traz cores primárias. Foram obras interessantes, que estimularam o potencial criativo”, aponta.

“O pião envolveu questões de física e geometria, que eram transmitidas de maneira muito sutil, pois não era preciso explicar noções de força ou inclinação, já que as crianças iam percebendo durante a confecção do brinquedo”, revela Tio Gui, que também aborda a questão do desenvolvimento sustentável durante seu trabalho.

Amizades

Além da confecção de brinquedos, o trabalho estimula a convência em grupo através de atividades que buscam a integração entre as crianças. “Novas amizades surgem através das brincadeiras”, analisa Tio Gui.

O professor conta que incentiva os pais a ensinarem seus filhos a produzir o próprio brinquedo. Na opinião de Lígia Zammataro Fernandez, mãe de Daniela, de 11 anos - que participou do evento ministrado por Tio Gui - o projeto caracteriza o cotidiano vivido pela filha.

“Apesar dela estar sempre navegando na Internet ou jogando videogame, ela adora aprender coisas novas e a arte de fazer brinquedos é muito interessante porque trabalha com o corpo e o intelecto”, diz.

Francisco Coffani Nunes, pai de Ana Beatriz e Ana Laura que têm 7 e 9 anos, respectivamente, conta que as meninas ficaram muito animadas com o evento. “Elas gostam de inventar e trabalham com materiais recicláveis na escola”, aponta. “Achei legal, fiz um pião e quadro de massinha. Mas gostei bastante dos cachorros também”, diz a pequena Ana Laura.

O professor confessa que se sente recompensado com a felicidade dos seus pupilos. “O que me deixa muito contente é a expressão de alegria quando o avião voa e o pião gira”, relata.

Outra atração que encantou a garotada foi a participação especial do Canil da Polícia Militar, que levou seus cachorros adestrados, e da Polícia Rodoviária, que exibiu uma simulação com suas viaturas.

“Houve uma aproximação com a Polícia, que também trabalha com crianças. Nosso objetivo também é mostrar a realidade apara as crianças, através de atividades de caráter social como essa”, conta Tio Gui, adiantando que, futuramente, o projeto mensal poderá ser realizado em praças públicas.

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