Cultura

Espetáculos muito especiais


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A “Oficina Inverso”, formada por alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru, se apresenta amanhã, no Projeto Quintas Culturais da Universidade do Sagrado Coração (USC). A programação do evento conta com espetáculo teatral, danças, coral, poesia e exposição de telas.

Existente desde 1998, o grupo de teatro e dança da Apae é coordenado pela psicóloga Priscila Foger Marques e pelo professor de expressão corporal e assessor de artes Luciano Francisco Grotto. Segundo Marques, atualmente, cerca de 30 adolescentes e adultos portadores de necessidades especiais participam das atividades artísticas.

A psicóloga explica que além de divulgar o trabalho realizado pela Apae em eventos da comunidade e festivais de arte, as atividades do grupo cultural tem caráter terapêutico, ajudando o desenvolvimento dos alunos. “Trabalhamos com a comunicação e interação social, melhorando a auto-estima dos portadores de deficiência”, diz.

“A oficina influi positivamente na vida deles. Eles gostam muito”, afirma Marques, ressaltando que a cada ano, os alunos se preparam para a apresentação de uma nova peça de teatro. Os ensaios são realizados em um palco improvisado no refeitório da Apae, que fornece a verba necessária para a confecção dos figurinos dos personagens, estrutura das peças e viagens.

Para este ano, sete alunos da entidade interpretam os personagens do espetáculo “É assim que somos”, que ganhou em primeiro lugar na fase estadual do Festival Nossa Arte - um concurso artístico promovido pela Federação das Apaes no Brasil -, sendo classificado para fase nacional do evento, que será realizada em junho na cidade de Curitiba.

A peça, que será exibida no palco do teatro da USC, tem caráter existencialista, enfocando temas como o cotidiano profissional, convivência na sociedade e preconceito. Com duração de oito minutos, a história aborda atividades do dia-a-dia de maneira lúdica, sob o ponto de vista dos personagens.

“O enredo fala em viver a rotina de uma forma diferente, não esquecendo de olhar ao redor”, explica Marques. “É uma situação de escritório, que traz um chefe e funcionários. Durante a trama, entram duas pessoss para fazer a faxina no local, tirando todo o cenário do escritório, que é feito de jornal, fazendo com que ele se torne colorido”, comenta.

A psicóloga conta que o espetáculo foi inspirado no livro “O Louco”, de Khalil Gibran, que retrata os papéis sociais incorporados pela sociedade. “A mensagem propõe que a as pessoas tirem as mágicas, revelando a questão da coragem de ser visto como louco, ou seja, na liberdade de nossa ‘loucura’, descobrimos realmente quem somos”, observa.

Igualdade

Atuando há quase cinco anos na cidade, a “Oficina Inverso” já realizou de diversas apresentações, participando de eventos e festivais de artes no País relacionados a portadores de deficiência. Entretanto, a partir desse ano, o grupo da Apae passou a ser visto como profissional, recebendo convites para se apresentar em festas, universidades e congressos.

Trabalhando com a produção de textos e danças que revelam um caráter social, como temas relacionados ao ser humano, os alunos da Apae estão começando a dividir o espaço cultural da comunidade de Bauru. “Agora estamos sendo conhecidos pela igualdade e não pela diferença”, aponta Marques, contando que uma empresa de Bauru já acertou um projeto de patrocínio com o grupo.

Performances

Além do espetáculo, alunos da Apae apresentam performances artísticas, amanhã. Outros destaques são as danças “Universo Metálico” e “É água... É seca... É chuva... É destino... É o caminho”, ambas são inspiradas na figura do ser humano.

A primeira é uma dança em estilo contemporâneo, que aborda a questão do futurismo e domínio das máquinas em oposição com a sensibilidade dos homens. O repertório musical traz faixas eletrônicas. “É uma dança que fala de pessoas que parecem robôs, agindo mecanicamente, mas que no final começam a se desligar da tecnologia”, conta Marques.

Já “É água... É seca...”, é uma dança regionalista, inspirada na vida dos retirantes nordestinos. Temas como a seca e a fome são retratados através de canções como “Segue o Seco”, da Marisa Monte e músicas instrumentais. “Fizemos um processo de laboratório, no qual os alunos sentiram a necessidade da água”, comenta a psicóloga.

A noite cultural traz ainda declamação de poesias da aluna da Apae, Carla Vanessa Carolina e apresentação do Coral “Vozes Especiais”, também formado por pessoas portadoras de deficiência da entidade e coordenado pelo educador musical Éder Ricardo da Silva. Além disso, telas do artista plástico e dramaturgo bauruense Emílio Figueira também poderão ser apreciadas no teatro da USC.

• Serviço

Apresentação da “Oficina Inverso”, formada por alunos da Apae. Amanhã, às 20h30, no Teatro Veritas da USC. A entrada é gratuita. Rua Irmã Arminda, 10-50. Informações: (14) 235-7000.

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