As 190 famílias de sem-terra que estão acampadas desde o final de abril em uma fazenda na região do Horto Florestal, na divisa entre Bauru e Pederneiras, querem aproveitar a visita do governador Geraldo Alckmin (PSDB) à cidade para negociar a permanência na área ocupada. Na última sexta-feira, a Justiça concedeu uma liminar de reintegração de posse.
O coordenador da subsede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Bauru, entidade que está dando auxílio aos acampados, Paulo Vieira Lima, diz que o objetivo é entregar um documento ao governador explicando a situação da área, que, segundo ele, tem sido explorada por grileiros ao longo dos anos.
Lima ressalta, porém, que nenhum ato coletivo ou manifestação estão programados. “Se fizéssemos isso, ele não nos receberia. Vamos formar uma comissão e tentar falar com ele.”
O juiz da 1ª Vara Cível de Pederneiras, Gilmar Ferraz Garmes, concedeu a liminar determinando a reintegração de posse atendendo a um pedido feito pelo loteador Luiz Carlos Pagani, que afirma ser o proprietário do local.
Reunião
O sindicalista também se reuniu ontem pela manhã, na sede do 4º Batalhão da Polícia Militar de Bauru, com o major Pedro Batista Lamoso e o oficial de Justiça do Fórum de Pederneiras, Francisco Reinaldo Guerra.
O coordenador da CUT foi informado de que as famílias acampadas terão que deixar a área o mais rápido possível. Segundo ele, caso isso seja necessário, não haverá resistência. “Nossa briga não é com a polícia.”
Lima diz que não está definido para onde o grupo se deslocaria caso deixe a fazenda. “Não pensamos nisso ainda, porque vamos tentar negociar a nossa permanência até o fim.”
O major Lamoso afirma que não há uma data marcada para que a liminar seja cumprida, mas isso deve ser feito na próxima semana. “Estamos realizando um levantamento da área e movimentando as tropas. É preciso um certo tempo para reunir o efetivo necessário.” Com isso, a CUT quer aproveitar o tempo que resta para negociar. Além da tentativa de entregar um documento ao governador, outras ações estão sendo feitas. “Estivemos na terça-feira em São Paulo e mantivemos um contato com a Secretaria de Segurança Pública. Nesta quinta-feira, vamos falar com o Insituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp)”, conta Lima.
O sindicalista diz que um advogado da entidade vai estar na sexta-feira em Bauru para auxiliar nas negociações. Ele comemora também uma ajuda que os acampados receberam esta semana. “Nós conseguimos junto à Federação da Agricultura Familiar a doação de duas cestas básicas para cada família.”