Regional

CEI investiga vereador de Paulistânia

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Paulistânia - A Câmara Municipal de Paulistânia (49 quilômetros a Sudoeste de Bauru) aprovou na última segunda-feira a instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar denúncias contra o vereador Márcio Roberto Idalgo (PSDB), o Pigê.

Ele é acusado de ter depositado em conta particular dois cheques de R$ 490,00 destinado ao pagamento de fornecedores da Câmara.

A denúncia foi apresentada pelo vereador e atual presidente do Legislativo, Livino Rodrigues (PSDB). Segundo ele, os cheques foram emitidos nos dias 4 de julho e 24 de setembro do ano passado. Na época, Pigê era presidente da Câmara. A instalação da CEI foi aprovada por seis dos nove vereadores da cidade. Pigê não estava presente à sessão.

A comissão é formada pelos vereadores Sérgio Neres de Oliveira Neto (PMDB), José Maria Cadamuro (PDT) e Aparecido Gomes (PPB). Eles terão 15 dias para apurar a veracidade da denúncia. Se for necessário, esse prazo poderá ser prorrogado.

Se ficar provada alguma irregularidade, Pigê poderá responder em seguida a uma Comissão Processante (CP) e ser até cassado.

De acordo com o vereador Cadamuro, que exercerá a função de relator, o denunciante teria apresentado cópias de documentos que comprovariam o desvio de dinheiro.

O cheque, segundo informou Cadamuro, era para saldar dívidas com uma empresa de informática, que havia prestado serviço à Câmara.

Na primeira reunião da comissão, realizada anteontem, foi definida a lista de pessoas que prestarão depoimentos. O primeiro a ser convocado será o proprietário da empresa de informática que prestou serviço à Câmara e entregou os cheques ao vereador Pigê.

“Queremos saber em que condições isso foi feito. Por que os cheques foram depositados na conta do ex-presidente”, comentou Cadamuro.

Tranqüilo

Para Pigê, a instalação da CEI não passa de “perseguição”. Na opinião dele, as acusações foram motivadas por “inveja”. “Eles estão tentando me derrubar porque eu tive uma votação expressiva na eleição de 2000 e não querem que eu saia candidato no ano que vem”, acredita.

Pigê garante que está tranqüilo e que vai provar que não fez nada de errado. De acordo com ele, receber cheques de fornecedores e de servidores municipais é uma prática constante na cidade. O vereador usa como justificativa o fato de a cidade não possuir nenhuma agência bancária.

“Como a cidade não tem banco, os moradores fazem as compras e pagam com os cheques que receberam da prefeitura ou da Câmara”, contou.

Pigê trabalha em uma mercearia, de propriedade da irmã dele. Segundo o vereador, é normal as pessoas assinarem no verso do cheque e passá-lo adiante.

Na opinião dele, essa situação não tem nada a ver com o que ocorreu recentemente com o ex-vereador bauruense Osvaldo Paquito (PPS). “Com ele foi diferente. Bauru tem muitos bancos para depositar cheques. Paulistânia não tem nenhum”, argumentou.

Paquito teve o mandato cassado pela Câmara, no mês passado de Bauru por falta de decoro parlamenter por ter depositado em sua conta bancária um cheque emitido pelo Legislativo para pagar um fornecedor. A reportagem não encontrou o vereador Rodrigues, autor da denúncia, para comentar o assunto.

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