A secretária do Estado da Cultura, Cláudia Costin, está hoje em Bauru para participar do Fórum São Paulo: Governo Presente, ao lado do governador Geraldo Alckmin e todo o secretariado. Anteontem, por telefone, ela concedeu uma entrevista ao JC na qual falou sobre os principais projetos do Governo Estadual para 2003 na área de cultura e programas para Bauru e região. A seguir, os melhores trechos da entrevista.
Jornal da Cidade - Como a Secretaria do Estado da Cultura está presente no Interior? Cláudia Costin - Nós estamos adotando desde março uma política de interiorização da cultura. O Governo Estadual estava concentrando demais a cultura na cidade de São Paulo, que tem museus que atraem pessoas de todas as cidades, tem as oficinas... Mas é fundamental que nós estejamos mais presentes no Interior também.
JC - Na região de Bauru quais são os principais projetos do governo? Costin - Nós abrimos recentemente o pólo do Projeto Guri em Jaú, com apoio da Camargo Corrêa. Estaremos ainda este ano anunciando a instalação de mais dois pólos nesta região, o de Guarantã e o de Bauru. O projeto Guri serve para atuar em áreas de risco social onde existam crianças em situação de extrema pobreza ou que possam acabar parando no narcotráfico. É um projeto cultural para essas crianças aprenderem música que também tem um caráter social muito forte. Junto com a Legião Mirim, nós vamos implantar o projeto em Bauru ainda no segundo semestre. Temos também o Circuito Paulista dos Festivais, o Mapa Cultural Paulista e a Caravana Paulista de Teatro. São projetos que já têm algum tempo.
JC - Existe algum projeto novo? Costin - A grande novidade é o programa São Paulo Estado de Leitores. Assim que eu cheguei na secretaria comecei a estudar o que havia em termos de política cultural e constatei que ainda não estávamos enfrentando uma questão gravíssima. O Brasil tirou na última pesquisa internacional de qualidade de educação, o último lugar, considerando-se que a África não participou. Tiramos esse último lugar especialmente em leitura e interpretação de textos. Os jovens de elite brasileiros se comparados com operários americanos ainda nos deixam em último lugar. Os educadores foram unânimes ao apontar que, ao contrário da Europa e dos Estados Unidos ou outros países da América Latina, o jovem brasileiro não lê por prazer. Não tem o hábito de ler. E outra pesquisa, feita pela Confederação Nacional de Trabalhadores de Educação, que mostrou que 60% dos professores não têm o hábito da leitura. Frente a essa realidade, resolvemos lançar um programa para reintroduzir o hábito da leitura, especialmente entre os jovens. É o São Paulo Estado de Leitores.
JC- Em que ele consiste? Costin - Ele incorpora o projeto Gosto de Ler, que já existia, mas faz muito mais. Nós estamos lançando um treinamento para 5 mil bibliotecários e agentes de leitura para capacitar as pessoas que atuam nas bibliotecas municipais do Estado para torná-las um espaço vivo, alegre, que as pessoas freqüentem, que atraia a juventude. Isso não acaba com o Gosto de Ler, que dá preparo técnico e pedagógico a professores e monitores desde 1998. Além disso vamos reforçar os acervos das bibliotecas dos municípios e fazer campanhas de comunicação para estimular o hábito da leitura. Outra meta é construir bibliotecas onde elas não existem. São Paulo tem 91 municípios sem bibliotecas de um total de 645 municípios.