O Comitê de Política Monetária acabou tomando a decisão esperada pelo mercado: manteve a taxa de juros básica em 26,5% ao ano, sem viés. Na prática, mantém o “engessamento” da economia real, aquela que gera empregos, riqueza e, principalmente, impostos para o governo. Os argumentos são os de sempre: inflação, ambiente externo, cautela, ou ainda dizem “não se faz omelete sem quebrar os ovos”, enfim, toda retórica já cansativa das Autoridades Monetárias.
Vale esclarecer que, tecnicamente, somos sabedores que a política monetária é um instrumento de efetivo controle da inflação e que é preferível por vezes adiar baixas do que ter que voltar atrás e aumentá-las. Mas tudo tem um limite. Os números falam por si, ou seja, os setores da economia agonizam. Não há crédito e quando estão disponíveis, os juros são abusivos. Além disso, a taxa real de juros (descontada a inflação) é elevadíssima, aumentando, desnecessariamente, o nível de endividamento interno (lastreado em juros).
Enfim, burocratas que consideram desemprego na casa dos 19% aceitável, que pensam que as empresas, notadamente as de pequeno porte, têm fontes não onerosas de financiamento, e que a classe média anda as mil maravilhas, são os que decidem os rumos da economia nacional. E não venha o presidente da República dizer que soube de tudo isso pela imprensa, seria enganar o povo, já sofrido e sem esperança. Quem sabe saiamos de metas de inflação para metas de indicadores sociais.
Talvez sintam na pele quando o nível de arrecadação de impostos cair em função do baixo nível de atividade. Por hora, o Copom, para mim, foi mais realista do que o rei. (O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, mestre em Comunicação, vice-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru e delegado do Corecon)