Economia & Negócios

Saúde pode iniciar greve em Bauru

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Os cerca de 1.400 funcionários da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que compreende o Hospital de Base, a Maternidade Santa Isabel e o Hospital Manoel de Abreu, votarão hoje, em assembléia, o início de uma possível greve. A decisão será tomada na sede do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Bauru e Região (Seessb).

A presidente do sindicato, Marilsa Sales Braga, declara que a categoria - cuja data-base é 1 de abril - está há dois anos sem reposição salarial. O sindicato pede reajuste de 37,5% nos salários, mas até agora, a diretoria da AHB teria oferecido apenas 2%. A sindicalista considerou o índice uma “proposta indecente”.

O diretor da AHB, José Cardoso Neto, no entanto, afirma que o reajuste proposto é de 4%, pois contempla os 2% de anuênio que a categoria recebe. “Nós temos que dar aquilo que o nosso faturamento permite. O Sistema Único de Saúde (SUS) não aumenta o custeio dos seus procedimentos aqui”, afirma.

De acordo com Marilsa, o argumento de que o repasse do SUS é baixo é “infundado”, pois o Hospital Estadual de Bauru (HE) paga salários considerados razoáveis pelo Seessb. A sindicalista cita ainda que a AHB tem outras fontes de recursos, como o atendimento a particulares.

Marilsa também declara que o menor salário pago no Hospital de Base é de R$ 233,00, valor abaixo do salário mínimo em vigor, que é de R$ 240,00. No HE, o menor salário pago é de R$ 400,00, segundo o Seessb.

De acordo com Cardoso Neto, o reajuste de 37,25% - ou mesmo uma média entre o índice pedido pelo Seessb e o oferecido - é inviável para os cofres da AHB. Segundo ele, a folha de pagamento é de aproximadamente R$ 1,1 milhão. Se a reivindicação do sindicato fosse atendida, isso significaria cerca de R$ 400 mil a mais.

“Nós concordamos que (o índice oferecido) não é o ideal”, afirma Cardoso Neto. Mas acrescenta: “Entre a vontade de atualizar os salários para a média regional e a possibilidade, há um caminho muito grande”.

Para a presidente do Seessb, a assembléia de hoje deve mesmo votar pela greve ou, no mínimo, pela organização de protestos. “O trabalhador está muito instável, com aquela história de perder emprego, mas a expectativa é de que saia greve. É impossível o trabalhador ficar conformado com 2%”, diz Marilsa.

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