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O negócio dele é voar

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Dizer que ele é uma “fera” do vôo à vela é pouco para defini-lo. Luis Fernando Improta é um verdadeiro mestre do esporte em que já acumula um número sem fim de recordes e vitórias, que o consagraram ao longo dos anos como o melhor atleta do País na modalidade. Provas disso não faltam. Sobram.

Improta, que não nasceu em Bauru mas vive na cidade desde os 8 anos de idade, é o atual campeão brasileiro - título que já conquistou cinco vezes (1988, 1994, 1996, 2000 e 2002) - e líder do ranking nacional dos praticantes de vôo à vela. É dele também a 10.ª posição no ranking mundial, obtida em 2001 competindo na Espanha, ao lado de outros 32 participantes, na categoria World Class.

O esportista já atuou como técnico de delegações brasileiras em campeonatos no Exterior, oportunidade em que também mostrou toda sua competência na modalidade. A melhor delas foi na África do Sul, onde Improta ajudou os praticantes tupiniquins de vôo à vela a conquistarem uma honrosa terceira colocação, atuação que lhe rendeu convites para participar de competições até mesmo fora de sua habitual categoria.

Além disso, Improta coleciona recordes na sua vitoriosa carreira. Dois dos mais importantes envolvem o tempo de permanência em vôo e a distância percorrida. Com um planador, o “bauruense de coração” já foi capaz de executar uma viagem de cinco horas, entre ida e volta, até o município de Franca (290 quilômetros a norte de Bauru).

Outra proeza ocorreu durante a disputa de um campeonato, quando “Improtinha”, apelido como é mais conhecido, voou 8 horas ininterruptas da cidade de Bebedouro (200 quilômetros ao Norte de Bauru) até várias regiões do Estado.

Entretanto, nem ser dono de um currículo invejável como esse parece ser suficiente para garantir a participação do atleta no mundial da modalidade, previsto para ocorrer em julho deste ano, na Eslováquia. Apesar de contar com o apoio financeiro de uma distribuidora de combustíveis de Bauru, que banca o aluguel mensal de cerca de US$ 3 mil do seu planador, o atleta corre o risco de ter de desistir da competição.

A razão, explica Improta, está no corte de verbas efetuado pelo governo Lula nos ministérios federais, especialmente o dos Esportes. Segundo o atleta, sem tais recursos as possibilidades de representar o Brasil no mundial, ao lado de uma equipe composta por outros seis integrantes, são praticamente nulas. “Ainda estamos tentando obtê-las, mas já estivemos mais otimistas. Agora é esperar”, revela ele.

Divisor de águas

A paixão do atleta pelo vôo à vela começou cedo em sua vida. Tendo o pai como instrutor, que desde 1956 já voava no céu bauruense, “Improtinha” foi criando gosto pela atividade.

Tanto que, aos 16 anos, conseguiu tirar seu brevê - espécie de carteira nacional de habilitação para voar - e, aos 17, já se tornava o mais jovem instrutor de vôo da cidade. “Veja só que ironia. Não tinha carta de motorista de automóvel, mas sim brevê de piloto”, enfatiza ele.

Com a mesma idade, em 1985, participou pela primeira vez de um campeonato de vôo à vela, quando foi derrotado justamente por Eduardo Tavares, que havia sido um de seus instrutores em Bauru. “Daí para frente comecei a me dedicar para valer e resolvi me profissionalizar, abdicando até um pouco de pretensões pessoais”, conta.

Após freqüentar cursos no Exterior e evoluir notavelmente no esporte, Improta sentia-se mais preparado e experiente. Apesar disso, em 1988, participou de um campeonato brasileiro de vôo à vela que culminou com seu primeiro título, mas que ele considera como o “divisor de águas” de sua carreira.

Tudo porque Improta tornou-se o protagonista do primeiro caso do Brasil de colisão de planadores em pleno vôo, experiência que o marcou para sempre. “Foi em Itápolis e, após bater no outro planador, perdi a última terça parte da asa. Levantei-me para ejetar a cabine, mas vi que o estrago era possível de ser contornado e, com muitas dificuldades, consegui pousar”, relembra ele.

Mesmo abalado psicologicamente pelo incidente, que quase lhe custou a vida, Improta retornou para Bauru para trocar de planador e dar seqüência no campeonato. Resultado: mesmo com uma prova a menos, sagrou-se campeão brasileiro, um resultado inesquecível. “Foi um episódio que contribuiu demais para meu amadurecimento profissional”, considera o atleta.

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Os automóveis

Outra prova cabal de que o negócio de Improta é voar é a sua relação com os automóveis, que ele define como “nenhuma”. “Nunca fui muito ligado em veículos, principalmente por causa do motor. Não me identifico com eles, afinal pratico um esporte do qual preciso apenas do vento. Além disso, não era daqueles que limpava o carro no final de semana. Para mim, quando chove o carro já está lavado”, resume ele, rindo.

Além disso, o complicado trânsito bauruense também contribuiu para o desgosto de Improta com os automóveis e, principalmente, as motocicletas, veículos que ele confessa já ter sido um fã.

“Os motoristas de Bauru foram um dos motivos que me levaram a parar de andar de moto. Isso porque considero infinitamente mais perigoso rodar com uma máquina de duas rodas pelas ruas locais do que voar com um planador”, enfatiza Improta.

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Perfil

Nome Luis Fernando Improta

Idade 35 anos

Profissão Comerciante. “Sou psicólogo formado, mas botequeiro de profissão.”

Cor preferida Amarela

Time do coração Palmeiras

Carro dos sonhos

“Uma Zafira.”

Quem você nunca levaria para dar um passeio em seu planador?

“A sogra.”

E quem você faria questão de levar para dar uma volta nele?

“A filha da sogra.”

O que mais lhe irrita no trânsito bauruense?

“Disparado, os buracos. Por causa deles já perdi duas rodas e pneus.”

Que nota você daria aos motoristas de Bauru?

“Quatro.”

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