Geral

Sem-terra dizem estar sendo ameaçados

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Representantes do grupo de 190 famílias de sem-terra que ocuparam uma área na região do Horto Florestal, na divisa entre Bauru e Pederneiras, protocolaram ontem no 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI) uma denúncia de que estariam sofrendo ameaças.

O secretário de Luta pela Terra da Federação de Agricultura Familiar, órgão filiado à Central Única dos Trabalhadores e que presta auxílio aos acampados, José Luiz das Chagas, diz que a situação no local é perigosa. “Ouvimos disparos durante a noite de quinta-feira. Além disso, uma pessoa estranha tentou contar o número de famílias que estão lá.”

O documento entregue à PM afirma que os acampados têm sido agredidos e ameaçados por grileiros que ocuparam a área irregularmente. Diz também que o grupo teve informações seguras de que muitas pessoas armadas estariam prontas para causarem desordem na fazenda invadida. Por fim, pede proteção policial 24 horas por dia.

Em nenhum momento, no entanto, a denúncia cita quem seriam os possíveis agressores e nem a mando de quem eles estariam agindo.

O major Pedro Batista Lamoso, comandante operacional do 4.º BPMI diz que a polícia vai tomar providências para garantir a segurança do local. “Será feito um reforço do policiamento. Nenhum problema, no entanto, foi registrado até agora.”

Na última semana, o juiz da 1ª Vara Cível de Pederneiras, Gilmar Ferraz Garmes, concedeu uma liminar de reintegração de posse para o loteador Luiz Carlos Pagani, que diz ser o proprietário das terras.

O advogado dos acampados conversou com o juiz ontem à tarde, mas foi informado de que a liminar será cumprida, o que deve ocorrer na próxima semana.

Para Chagas, o tempo que resta será utilizado para negociar. “Vamos tentar entregar ao governador Geraldo Alckmin uma documentação sobre a área. Se não conseguirmos fazer isso pessoalmente, tentaremos através de cartas ou e-mails.”

A posse da região do Horto Florestal gera polêmica. As terras pertenceriam à Ferrovia Paulista S/A (Fepasa), que cedeu o direito de exploração a duas empresas. O loteador Luiz Carlos Pagani, no entanto, afirma que o setor ocupado desde o final de abril foi comprado por ele de terceiros.

Comentários

Comentários