Bairros

Vendaval provoca medo e estragos

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Em poucos segundos, o vento forte, de até 60 quilômetros por hora que atingiu Bauru por volta das 13h de ontem, provocou oito destalhamentos, pelo menos 12 quedas de árvores, quatro desabamentos de painéis, a interdição de uma casa, suspensão de energia elétrica, interrupção de 500 linhas telefônicas, congestionamento e medo.

Apesar do temporal, apenas três pessoas ficaram levemente feridas, segundo o Corpo de Bombeiros. As conseqüências não foram muito além de prejuízos materiais e transtornos. Até o fechamento dessa edição, alguns bairros, como a Vila Nova Esperança e Jardim Araruna, continuavam sem energia elétrica.

Sem energia, o trânsito na avenida Duque de Caxias ficou complicado quase a tarde inteira porque os semáforos pararam de funcionar. Apenas os sinais entre as quadras 5 e 11 ficaram ligados.

Na altura da quadra 22, a pista sentido bairro/Centro ficou interditada até as 16h30. No local, o poste interno de um estabelecimento comercial, que pesa de 1,5 tonelada e mede cerca de dez metros altura, caiu, interrompendo o trânsito no cruzamento da avenida com a rua Xingu.

As placas do luminoso da loja em frente ao comércio foram lançadas sobre os fios da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) provocando explosões e a queda de fios energizados. Por essa razão, o trânsito ficou interditado e a energia foi cortada.

“Conforme as placas caíam, ouvíamos as explosões. Foi uma gritaria, todo mundo saiu correndo para o fundo da loja. A minha maior preocupação era escorar o luminoso, que poderia cair em alguém. Vamos arcar com um prejuízo de pelo menos R$ 20 mil”, conta o gerente Laerte de Oliveira.

Seu vizinho, Jorge Simão Neto, passou pelo mesmo sufoco e deve assumir danos semelhantes. O painel com o logotipo da empresa desabou e por sorte não caiu sobre motoristas ou pedestres. “Veio um raio e simultaneamente o poste caiu. Alguns funcionários choraram de medo. Parecia que o raio tinha provocado a queda do painel”, conta.

Mais nervosa estava Gisele Ribeiro Antunes, que almoçava num restaurante ao lado. Ela viu o painel cair a poucos metros dela. Teve tempo apenas de se levantar da cadeira e sair correndo. “O prato caiu no chão. Eu não paro de tremer, perdi a fome”, desabafa.

Por causa do acidente, o comandante da Base de Trânsito da Polícia Militar (PM), tenente Jorge Luís Dias, deslocou todo o efetivo para a avenida. “Embora a rua XV de Novembro também estivesse sem semáforos, a Duque foi o corredor mais preocupante. Vinte homens foram deslocados para lá, mas não registramos acidentes”, informa.

Somente o motorista de um caminhão que transitava pela quadra 21 da avenida ficou levemente ferido. Uma árvore caiu sobre o veículo, conforme informou o Corpo de Bombeiros, que recebeu mais de 20 chamadas.

Destelhamento

Os outros dois feridos estavam no interior de um supermercado do Jardim Ferraz, quando o teto desabou. Uma parede construída no andar superior caiu sobre a cobertura, que cedeu. Cerca de 20 metros quadrados ficaram destelhados.

“O barulho foi tão alto e havia tanta poeira que me lembrou a queda daqueles prédios nos Estados Unidos (World Trade Center). Foi uma gritaria. Todo mundo saiu correndo pelos fundos”, conta uma funcionária que pediu para ter o nome preservado.

Também assustado ficou o patrão dela, Isaías Cunha da Silva, que na tarde de ontem ainda calculava os prejuízos. “Ainda não temos idéia do valor dos danos. Minha maior preocupação era com as pessoas, não sabia se havia feridos”, recorda.

A possibilidade de ficar ferida também transtornou Priscila Garcia Barbosa, que mora na Vila Nova Esperança. Ela estava com as duas irmãs e os dois filhos quando o vento destelhou sua casa e a laje do teto cedeu. “Fiquei em pânico e me joguei sobre as crianças para protegê-las. Tinha a impressão que o teto cairia”, relata. Ela só saiu de casa, quando o vizinho, Wilian Pereira da Silva, pulou o muro para prestar socorro.

“Chutei a porta, peguei as crianças e saí correndo. De casa deu para ver as telhas voando. Depois, chamamos o Corpo de Bombeiros. A casa foi interditada”, conta.

Ele vai abrigar a família, que receberá ajuda da Secretaria das Administrações Regionais (Sear) e da Defesa Civil. De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, o mesmo auxílio será oferecido aos moradores do Ferradura Mirim, que também tiveram as casas destelhadas. Ocorrência semelhante também foi registrada no Jardim Santa Edwirges e no Parque Jaraguá.

Lá, uma família acionou o Corpo de Bombeiros porque um cômodo da casa foi destelhado com a força do vento. “Eu estava deitada na sala, dormindo, quando ouvi o barulho. Acordei chorando, desesperada”, conta Regiane Magalhães, que só se tranqüilizou com a chegada do pai, Daniel.

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