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Bauru fisgou Jean Massumi

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 10 min

Se fizesse alguma coisa que o desabonasse dentro da casa, ele não pisaria mais em Bauru. Dessa maneira, o samurai do Big Brother Brasil 3 Jean Massumi, 29 anos, se referia carinhosamente à cidade onde moram os pais da namorada, Lia Ikeda, Ivo e Inez, e onde o massagista faz questão de passar um final de semana sempre que possível.

“Eu gosto muito do seu Ivo e da dona Inez. Eles são muito gente boa e Bauru é um lugar muito mais tranqüilo que aqui (São Paulo). Bauru é uma cidade que muito me apraz, porque é um misto. Não é uma cidade tão pequena. É uma cidade de porte médio para grande, onde você tem muito conforto com pessoas com jeito de Interior e é nisso que me amarro”, explica Massumi.

Ele confessa que, nas suas incursões por Bauru, pescar é lei. “Se não vou pescar, não fui a Bauru”, confessa. Em sua última visita, a primeira depois de sair do programa, Jean foi jogar boliche, deu autógrafo e tirou fotos. A imagem de sossegado o auxilia a conter o assédio que é comedido, mas quando foi a Juiz de Fora (MG) visitar os pais foi tratado como celebridade e recebeu até palpites para se candidatar a vereador.

Aos poucos, Massumi está retomando as atividades de massagista, mas já ligou para os pacientes para matar a saudade. Ele se recupera de uma cirurgia nos olhos que conseguiu através do programa do Faustão para curar o cerotocone, um problema raro e progressivo que pode levar à cegueira. Para se ter uma idéia, era como se o Big Brother tivesse 13, 14 graus de miopia. “Além da operação, o Faustão ajudou a quebrar a minha imagem de frieza diante do público. Senti um carinho dele por mim. Foi muito bacana.”

Mas, na verdade, o estrategista do programa, que começa a perceber os resultados do tratamento, não é nada frio. Pelo contrário. Em poucos minutos de conversa por telefone, parecia um amigo de longa data. Muito simpático e muito próximo, mas capaz de manter os segredos contratuais consigo.

Sobre o fato de não ter vencido o programa mesmo sendo considerado o melhor jogador de todas as edições. Massumi afirma que não errou na estratégia e concorda que a vitória de um tipo caipira se repetiu. “Fazer o quê, né?”, conforma-se.

Jornal da Cidade – Você já voltou a ser o Jean Massumi ou ainda está vivendo a febre do Big Brother? Jean Massumi – Acho que nunca vai acabar. Essa definição Jean Massumi do Big Brother vai demorar para sair. Com certeza, as coisas vão se acalmando.

JC – Foi realmente um inferno ter saído da casa e ter uma avalanche de assédio e tudo o mais? Massumi – Eu não posso falar que foi um inferno. É uma coisa diferente que a gente viveu. Não posso dizer que foi um inferno.

JC – O inferno que digo é no sentido de ser uma mudança muito radical na sua vida. Você vai para a casa, fica confinado, sai de lá e depois todo mundo em todo e qualquer lugar vem lhe assediar. Massumi – Por esse aspecto a gente pode afirmar que é um inferno, mas é muito bom.

JC – Como você define a sua permanência no programa? Foi um período de férias prolongadas de quase quatro meses que você precisava, ou não dá para encarar dessa maneira? Foram dias de tensão, de jogo, de estratégia mesmo? Massumi – Eu acho que nem férias, nem tão pouco uma guerra. São coisas diferentes. Não tem uma definição, mas foi um período de auto-conhecimento, um período de estratégia muito grande, um pouco de tensão, um pouco de férias. É misto de coisas que não dá para definir em uma palavra só.

JC – Que lição você tira de lá? Na casa você era o estrategista. Se fôssemos definir participante por participante o Jean seria ao mesmo tempo o estrategista e o mais largadão de todos. Na vida real, você é mais ardiloso ou o tranqüilão, que deita no sofá e fuma um cigarrinho? Massumi – Mas aí é que está, o fumar o cigarrinho deitado no sofá... A minha cabeça está funcionando. Então, o que é maior que o outro? Talvez seja igual a intensidade com que faça as coisas. Ao mesmo tempo em que estou pensando, estou descansando.

JC – Durante a chegada e a permanência na casa todo mundo fazia juras de amizade. E depois? Alguém entrou em contato com você? Vocês se encontraram? Massumi – Sem dúvida. Quando eu estava lá dentro, eu sempre deixei muito claro que o meu objetivo era jogar com as armas que eu tinha. Agora, afinidade com as pessoas existia, a necessária e a de verdade, o que muitas vezes dificultava a estratégia do jogo. Eu não ia mandar um camarada para o paredão, mas em determinados momentos não tinha escolha, estava ali jogando e não escondi isso de ninguém.

JC – Tanto é que mandou a Elane para o paredão, que aparentemente era sua melhor amiga. Massumi – Pois é. Foi isso mesmo e sem ressentimento. Agora que sai da casa é que é uma outra história: é de amizade geral. Eu tenho contato com o Harry, muito contato com o Dhomini, muito contato com o Emílio e muito contato com o Marcelo. A Andréa também liga direto. A Sabrina, às vezes.

JC – E a Elane, que era tão apegada contigo? Massumi – Essa é que eu não sei qual que foi. Não sei mesmo, Luly. Eu senti um certo distanciamento e uma indiferença proposital até. As vezes em que a encontrei, eu senti uma certa frieza, uma falta de receptividade.

JC – Mas você acha que foi o quê? De repente, a menina humilde ganhou uma grana que mudou a cabeça dela ou ela se apaixonou mesmo e viu que não tinha nada a ver e resolveu se preservar? Massumi – Não sei o que foi, cara. Gostaria muito de saber. Pressuposições a gente pode fazer inúmeras... Da minha parte, a receptividade é a mesma e eu gostaria de me relacionar com ela da mesma forma com que a gente se relacionava lá dentro da casa. Só que não senti essa reciprocidade. Eu acho que nesse caso a melhor pessoa para responder é ela. O que eu posso falar é que senti frieza, sim.

JC – Enquanto estava na casa e via as pessoas saindo, você sentiu saudade de alguém? De repente, chegou a pensar: “puxa fulano faz falta!”? Massumi – Como eu disse, lá dentro você vai tendo afinidades que são necessárias para você passar o tempo com maior tranqüilidade. Então, por exemplo, quando o Marcelo e a Andréa saíram eu fiquei mal, quando o Emílio saiu eu falei: “caramba”, quando o Harry saiu eu falei: “putz!”. Você vai percebendo que aquele amigo seu é o único que você tem, mas no jogo qualquer peça é fundamental.

JC – Você teve o privilégio de sair da casa e desfilar no Carnaval do Rio. Como foi aquilo para você? Massumi – Se fosse escolher um episódio apenas da minha estada ali, o Carnaval foi realmente a apoteose. Aquilo é uma coisa que não tem explicação. Eu não sei, cara, quando fui escolhido, fiquei pensando vou, não vou, vou não. Com toda aquela responsabilidade de você ter que arcar com uma coisa que não é do seu perfil. Dançar, etc, etc. Então, eu estava com muito medo de não corresponder aquilo. Mas chega na hora é incrível, é impressionante. O interessante é que a gente estava com todo o esquema da Rede Globo para a gente manter o próprio isolamento. A gente parecia um pedaço. Mas foi uma coisa surreal chegar na frente de uma arquibancada com sei lá quantas mil pessoas gritando o seu nome, é muito louco... A gente recarrega a energia. Cara, aquilo foi uma coisa única. Eu nunca teria a chance de estar ali.

JC – Não tem como não se deixar levar por aquilo tudo que é o Carnaval do Rio, até quem não sabe sambar cai no samba. Massumi – Sem dúvida, modéstia à parte, eu detonei. (risos)

JC – Já escolheu a escola para desfilar em 2004? Massumi – Com certeza, a Beija-Flor já mora no meu coração.

JC – Antes do Big Brother você não tinha hábito nenhum de Carnaval? Massumi – Não tinha nada! Carnaval para mim era sinônimo de feriado. Agora, é lógico, eu não tenho competência para sair numa escola sambando, mas se precisarem de um cara para pular, para passar energia e cantar o enredo da escola, eu estou dentro.

JC – Já que tocou no assunto, como você foi parar dentro da casa, o que te fez enviar a fita e se inscrever no jogo e querer participar? Massumi – Eu acompanhei as duas outras edições e sempre me perguntava como reagiria diante daquela situação. Era uma curiosidade muito forte em saber o que uma pessoa que está lá dentro sente. Eu queria sentir aquilo, verificar se era verdade o que eles falavam que sentiam e eu vi que é uma adrenalina muito grande.

JC – Existe um roteiro a ser seguido, um horário para acordar, um período mínimo acordado ou eles soltam a câmera e com exceção das provas e festas vocês fazem o que querem? Massumi – Isso são coisas sigilosas, que não se pode falar, mas existem regras de eliminação, de resto, você pode fazer o que quiser. Tem um toque para acordar, mas eles sempre mudavam o horário, não era uma coisa fixa.

JC – Na maioria das vezes, vocês não conseguiam a cota total de comida na semana. Chegaram a passar fome? Massumi – Não vou te falar que é fome, mas algumas privações você passa. Eu emagreci nove quilos.

JC – Isso sem fazer exercícios ou sequer freqüentar a academia? Pelo menos foi isso que passaram para as pessoas na tevê aberta... Massumi – Eu malhava todo dia. Todo dia de madrugada, uma, duas da manhã.

JC – Não foi isso que a maior parte da população viu. Você acha que as edições do programa, principalmente as edições de perfil do participante em dia de votação, elas acabam de uma certa forma sendo tendenciosas e levam a eliminar tal participante? Massumi – No meu caso, os dois perfis foram bem interessantes. Eu gostei muito do meu perfil. Agora eu não sei... Para te falar a verdade, eu não vi as fitas ainda.

JC – Não?! Por que? Não teve tempo ou faltou coragem? Massumi – Não assisti nada mesmo. Não quis ver. Eu estaria sendo incoerente se ficasse remoendo isso aí. Eu vivi aquilo e acabou. Eu joguei enquanto durou aquilo para mim. Agora, o que vale é a amizade, o contato com as pessoas. Não tem por que ficar remoendo mesmo.

JC – E o retorno que todos falam, propostas, etc, etc? Rolou alguma coisa? Massumi – Aí é que está. Se você for acreditar em metade das propostas que te aparecem depois que você sai da casa, você tem emprego para cinco anos, tá? De concreto, o que me apareceu foi uma proposta da minha chefe de tentar alguma coisa junto com ela. Eu estou aberto a fazer eventos, mas antes vou pensar se me agrada ou não. O meu foco é dentro da área em que eu trabalhava, que até agora é a única coisa que sei fazer.

JC – Mas mesmo sendo um cara sossegado, na tua, você está curtindo a fama? Massumi – Ah tô! De monte! É hipocrisia falar que é chato dar autógrafo, eu me amarro.

JC – Para você, até agora, o Big Brother foi a experiência da sua vida? Massumi – Sem dúvida! Foi mesmo. Três meses que valeram 30 anos.

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