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Chalita enfrenta protesto da Apeoesp

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Diante da presença do secretário estadual da Educação, Gabriel Chalita, professores da rede pública ligados ao sindicato estadual da categoria (Apeoesp) aproveitaram para fazer, ontem, uma manifestação contra a política educacional do governo do Estado.

Faixas e carro de som foram colocados em frente à Diretoria Regional de Ensino de Bauru, onde o secretário participou da formatura de alunos-monitores, ontem de manhã.

Ao chegar ao evento, Chalita recebeu das mãos da coordenadora Suzi da Silva, da subsede do Sindicato dos Profissionais do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), uma lista de reivindicações.

Entre os pedidos estão um reajuste salarial de 25%, fim do veto ao projeto que determina o máximo de 35 alunos por sala, readmissão dos professores e anistia das faltas decorrentes da greve de 2000.

Os professores protestaram também contra a municipalização do ensino, contra a reforma da Previdência e o aumento da alíquota dos servidores, proposto pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

De acordo com a coordenadora, atualmente existem escolas com classes de até 50 alunos. Na opinião dela, isso inviabiliza qualquer projeto pedagógico.

Quanto ao reajuste salarial, a diretora estadual da Apeoesp, Luzia Conceição Quinezi, disse que o governo continua irredutível em sua decisão de não conceder aumento aos professores.

Essa pretensão foi confirmada pelo próprio secretário, ontem. Ele declarou para todos os presentes que o Estado não tem condições de dar aumento salarial aos professores.

No entanto, enfatizou quase o tempo todo a importância em valorizar a categoria. “Mais importante do que reformar escolas é valorizar seus profissionais”, discursou ele para uma platéia encantada com o dinamismo e a jovialidade do secretário-cantor.

Em quase uma hora de discurso, ele cantou duas músicas do padre Zézinho e uma do “rei” Roberto Carlos. Em todas, foi acompanhado de forma entusiasmada por quase toda a platéia.

Sobre os demais pedidos dos professores, Chalita declarou que estava “absolutamente solidário” a eles. O secretário fez até mesmo uma mea culpa. “O governo precisa dar mais valor ao professor”, disse. “A escola só vai melhorar quando os profissionais forem valorizados.”

As mesmas reivindicações entregues ontem ao secretário foram passadas pelos sindicalistas ao governador durante o Fórum São Paulo: Governo Presente, na Associação Luso Brasileira.

Febem

Chalita disse durante seu discurso que recebeu com “muito orgulho” a incumbência de educar os internos da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem). “Vamos virar a página (da instituição)”, afirmou.

O secretário informou que algumas parcerias já foram colocadas em prática e outras devem começar em breve.

Como exemplo, ele citou a contratação de 500 menores da Febem pela rede McDonalds. Segundo o secretário, está em fase final de conversação uma parceria com o Pão de Açúcar, com a mesma finalidade.

A idéia, segundo Chalita, é oferecer uma oportunidade para que os menores infratores sejam reinseridos na sociedade de forma digna.

Para a professora Ana Flávia Lopes Lenharo, de Arealva, o secretário foi bastante “convincente” em sua fala. “Ele acredita no que diz e isso entusiasma as pessoas”, observou.

Já a professora Sônia Mazzi não viu nada de especial no pronunciamento do secretário. “Ele não apresentou nada de novo”, disse.

Foi a primeira vez que Sônia teve contato direto com o secretário. Antes, só por videoconferência. E ela se surpreendeu. “Eu não sabia que ele era uma cópia do padre Marcelo Rossi”, brincou, fazendo referência às coreografias que Chalita fez no palco enquanto cantava.

Quem também se surpreendeu foi o professor e ex-vereador Luiz Roberto Relvas. “Eu o achei muito carismático”, observou. “Ele está tentando resgatar o que falta nos professores hoje, que é a auto-estima.”

Alunos-monitores

Além do secretário estadual da Educação, Gabriel Chalita, participaram da cerimônia de formatura dos alunos-monitores o dirigente regional de ensino, Jair Sanches Vieira, o coordenador de ensino do Interior, Élcio Selme, e a coordenadora da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), Silvia Galleta, entre outras autoridades.

A cerimônia começou por volta das 9h30 e contou com a presença de professores, dirigentes de ensino e políticos de várias cidades da região.

O projeto, que atende pelo extenso nome de Suporte Técnico e Pedagógico às Salas Ambiente de Informática das Escolas da Rede Pública Estadual (Stepe), tem como objetivo treinar alunos para manter os computadores da escola sempre em bom estado de funcionamento.

Atualmente, 22 escolas são atendidas pelo projeto. Cada uma teve dois formandos. O curso teve duração de três meses e foi ministrado por alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.

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