Bairros

Beija-Flor e Mary Dota fazem votação tensa para diretoria

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Em clima de tensão e após muita discussão, a Associação de Moradores do Beija-Flor e do Mary Dota elegeu ontem sua nova diretoria. Com 195 votos, venceu a eleição a chapa 2, encabeçada por Ruth Alves de Sousa. As duas chapas perdedoras alegam que foram prejudicadas por um jornal do Mary Dota, que circulou na manhã de ontem.

“A gente se sente prejudicado porque a chapa 2 saiu estampada (no jornal), com uma frase dizendo que na eleição não era para o pessoal do Mary Dota votar. Eles induziram ao erro”, declara o candidato a presidente da chapa 3, Nivaldo Aparecido da Silva.

O candidato a vice-presidente da chapa 1, Benedito Carlos Marciano, afirma que sua chapa é composta por moradores de ambos os bairros. “Nossa chapa é formada por moradores do Beija-Flor e do Mary Dota”, diz. E completa: “Fizeram isso de última hora, como nós vamos virar o jogo?”, questiona.

De fato, o jornal do Mary Dota publica em suas páginas centrais fotos dos membros da chapa vencedora. No texto ao lado, a última frase é bem clara ao dizer que “somente moradores do Beija-Flor” poderão votar. Após o término da apuração dos 479 votos, representantes das chapas derrotadas fizeram questão que constasse na ata da eleição a frase do jornal.

Para os representantes das chapas perdedoras, a publicação - entregue em todo o Mary Dota - fez com que muitos eleitores deixassem de comparecer ao local da eleição, no Beija-Flor.

Fiscal

Paulo Ferreira, apontado como responsável pelo jornal, estava presente na eleição como fiscal da chapa vencedora. Questionado, ele confirmou a informação. “Eu sou um dos responsáveis pelo jornal. Quem comanda o jornal é a associação. Eu assino como diretor responsável”, diz.

Sobre a informação de que a eleição era restrita ao Beija-Flor, Ferreira declara que não foi ele quem escreveu o texto, mas afirma que concorda com a restrição. Ainda segundo ele, o jornal só divulgou as duas páginas sobre a chapa 2 porque foi procurado por seus componentes. “A chapa 2 procurou o jornal e pediu para que divulgasse que a chapa estava concorrendo”, afirma.

A presidente eleita, Ruth Alves Sousa, diz que não declarou ao jornal do Mary Dota a informação questionada pelos opositores: “Isso não partiu de mim, eu tenho certeza que isso aí eu não falei. Mas como todo bom político, sempre procuro alguma coisa para ganhar voto, né?”

No entanto, Ruth concorda que a eleição abrange os dois bairros. “Pelo estatuto, (votam) Mary Dota e Beija-Flor”, diz. E finaliza: “A gente estava nessa briga para não deixar que pessoas do Mary Dota venham tomar posse do que a gente já conquistou aqui”.

As chapas perdedoras têm 72 horas para tentar impugnar as eleições. Para isso, elas também precisam de apoio de um terço dos votantes. A Polícia Militar esteve no local para acompanhar o final da apuração.

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