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Área Azul terá fiscalização reforçada

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 5 min

A Polícia Militar (PM) vai aumentar a fiscalização dos veículos que utilizam as vagas da Área Azul em Bauru. A informação é do comandante da 1.ª Companhia, capitão Nélson Garcia Filho. O objetivo é impedir que os usuários permaneçam estacionados durante todo o dia com apenas um único cartão.

O capitão diz que o problema foi discutido durante uma reunião realizada em abril e que contou com representantes da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Associação das Empresas do Calçadão (AEC) e Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

“Os comerciantes apresentaram uma lista de ambulantes que estariam estacionando na área central sem trocar o cartão depois do período permitido”, explica o capitão.

Ele afirma que a polícia fez um levantamento e confirmou que o problema existe. As ruas em que as irregularidades foram constatadas são Agenor Meira, Antônio Alves, Azarias Leite, Bandeirantes, Ezequiel Ramos, Gérson França, Gustavo Maciel, Rio Branco, 13 de Maio e Virgílio Malta, além da Praça Rui Barbosa.

O capitão Garcia afirma que os ambulantes já foram comunicados sobre a decisão, mas faz uma ressalva. “Verificamos que muitos comerciantes também não cumprem a determinação e eles também serão autuados. A lei vale para todos.”

Ele diz que a fiscalização não é mais intensa porque a polícia dá prioridade para as infrações dinâmicas, ou seja, as que são cometidas com o carro em movimento, como ultrapassar o sinal vermelho. “As estáticas acabam ficando em segundo plano. Além disso, quando o nosso policial faz uma autuação, os outros ambulantes colocam o cartão rapidamente.”

Desde janeiro, foram aplicadas 2.021 multas por estacionamento irregular na Área Azul. No mesmo período, 4.482 motoristas foram penalizados por estar sem cinto de segurança, ultrapassar o sinal vermelho ou falar ao celular enquanto dirigiam.

O capitão explica que seis soldados trabalham na área central pela manhã, fazendo a fiscalização a pé, e outros dez são responsáveis pelo serviço no período da tarde, exercendo a função com o auxílio de bicicletas. Na região do Departamento de Água e Esgoto (DAE), um outro policial faz as autuações.

Para ele, o número é suficiente. “Se eu tivesse um efetivo maior, não colocaria para fazer esse serviço. Bauru tem 150 mil veículos e não se pode deslocar tantos homens para fiscalizar as infrações estáticas. Todo mundo iria perguntar se o policiamento serve para evitar acidentes e mortes ou multar veículos parados.”

O capitão conta que há um acordo informal para que as multas sejam aplicadas uma hora após o início de funcionamento da Área Azul. “Combinei com a comunidade local que estaríamos fazendo a fiscalização um pouco mais tarde porque, das 8h às 9h, o comércio não está aberto. Também é um horário em que estamos fazendo o policiamento nas escolas.”

A assessoria de imprensa da Emdurb diz que a empresa tem conhecimento do problema com os veículos que utilizam o sistema de estacionamento rotativo de maneira irregular, mas que está buscando soluções em reuniões como a que foi realizada com a polícia e representantes do comércio.

Tolerância

O presidente da Acib, Cássio Carvalho, afirma que não percebeu nenhuma mudança desde que o encontro com a polícia foi realizado. “Eles ainda estão sendo muito complacentes.”

Ele defende a autuação de todos os motoristas que não respeitem as regras da Área Azul. “As regras têm que valer para ambulantes, comerciantes, comerciários e usuários. Estes últimos são os únicos que poderiam merecer uma tolerância maior, mas não há como distingui-los.”

Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal de Bauru, Mário Augusto dos Santos, diz que o número de ambulantes que deixam o carro em vagas da Área Azul é muito pequeno. “Não chega nem a 10%. A maioria utiliza o local apenas para carga e descarga.”

Segundo ele, os vendedores autônomos têm respeitado a determinação de estacionamento rotativo. “Eles colocam os cartões e movimentam os carros.”

O aposentado Arnaldo Silveira, que trabalha como ambulante na rua Rio Branco, estima que os gastos diários com o estacionamento cheguem a R$ 7,00. “Utilizo praticamente um talão com dez cartões. Se eu não fizer isso, a polícia multa mesmo. Já recebi umas seis autuações desde que comecei a montar minha banca aqui.”

Para o presidente da Acib, falta também um entrosamento maior entre os responsáveis pelo setor. “Os fiscais da Emdurb colocam o aviso de que o veículo está irregular, mas os guardas demoram para aplicar a multa e dá tempo para que o motorista saia do local.”

O presidente da Associação das Empresas do Calçadão, Francisco Alberto De Bernardis, concorda. “Quem vende é um, e quem multa é outro.”

Ele diz também que o número de fiscais da Emdurb é insuficiente. “Poucas pessoas vendem os cartões de estacionamento, principalmente entre 11h30 e 13h30. É preciso que se criem postos fixos em locais como o Calçadão para acabar com esse problema.”

A dona de casa Maria José Zanetti Paiva também reclama da falta de vendedores. “Houve casos em que eu parei o carro e não encontrei ninguém para que pudesse comprar o cartão.”

A assessoria de imprensa da Emdurb informou que 50 funcionários cuidam da Área Azul e que um rodízio é feito entre eles durante o horário de almoço. Disse ainda que os cartões podem ser encontrados em 120 lojas cadastradas, o que ameniza a situação. “Só que os motoristas ficam com medo de sair de perto do carro para procurar esses locais”, rebate Cássio Carvalho.

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Shopping

Outro lugar bastante procurado pelos motoristas é o estacionamento do Bauru Shopping, que não cobra taxa para a utilização das vagas.

O coordenador de segurança do local, Antônio Carlos Fagundes Cruz, diz que existem algumas orientações que são passadas aos usuários que cometem irregularidades. “Quando percebemos que são funcionários de empresas que ficam aqui perto, procuramos explicar que eles não podem deixar o carro aqui dentro.”

Ele afirma que os funcionários do shopping também são orientados. “Pedimos a eles que ocupem as vagas mais afastadas.”

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