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Conflitos contínuos...


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Dotada de duração curta, minúscula até em relação às que o mundo teve o martírio de sofrer, experimentando em algumas épocas, chegou ao seu final a recente guerra no Iraque, a qual, diga-se melhor, nem chegou a ser propriamente uma guerra e, sim, um conflito bélico de algumas proporções, ainda que produzindo um punhado de vítimas, mortais e inutilizadas. A maior parte dos combatentes que não pereceram está de volta aos seus países, suas cidades, americanas e inglesas, para felicidade e conforto de seus queridos familiares. Graças a Deus - forçoso é expressar - levantando-se as mãos para os infinitos céus, numa prece de necessário agradecimento! Mas as comunidades não estão totalmente tranqüilas quanto ao seu futuro, porquanto não ignoram que têm pela frente outros conflitos para enfrentar e tentar vencer. Refere-se ao que explicitamente? Alude-se aos confrontos de gerações, que se acham em ininterrupta ebulição mundo afora, com pais de um lado e filhos de outro provocantemente. Desde quando isso? Não é fruto desta modernidade descontraída, da qual tanto se fala e propaga a favor e contra em todos os sentidos, uma vez que os conflitos humanos vêm desde o início dos tempos, segundo os registros históricos, uma vez que há mais de 4.000 anos foi descoberto em um vaso de argila, nas minas da Babilônia, um escrito afirmando que a juventude da época jamais seria como a de outrora, pois que não teria capacidade de manter a cultura de então. E não ficariam nisso as previsões, populares e oficiais, eis que no ano 2.000 a.C. surgiria um sacerdote denunciando que “seu mundo atingia um ponto crítico e que, conseqüentemente, seu indesejado fim não poderia estar muito longe... Era só esperar mais um pouco pelo fenômeno!” Depois disso, sem que o universo atingisse o fim, como até hoje, em 720 a.C., Hesíodo prenunciava “não ter nenhuma esperança no futuro da Terra” e, em 470 a.C., o indesmentível Sócrates condenava as divergências humanas de então afirmando que “seus filhos eram verdadeiros tiranos, enfrentando e desobedecendo os pais e assim continuariam indefinidamente”.

Atesta-se, assim, que os confrontos entre pais e filhos aí existentes são semeaduras de longa data. A fisionomia do mundo antigo em nada mudou e a da humanidade também não, tudo repetindo então o que esteja estampado nas páginas da história, sem modificar vírgulas ou substituir pontos finais, ainda que os seres possam encontrar à sua frente pontos de interrogação imensamente tristes e incontornáveis, sem esperanças de que um dia os povos se ajustem de uma vez por todas. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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