É um condomínio maravilhoso e, aparentemente, as 700 famílias que moram ali tem uma vida saudável, cercados de árvores e natureza exuberante. É um bairro cercado e protegido. Como moro no local faz 12 anos, é natural que eu faça minha caminhada por ali todos os dias. É sempre um prazer encontrar as pessoas fazendo seu cooper e desfrutando da sombra maravilhosa que as frondosas árvores propiciam para os passantes. De uns dias para cá, porém, vejo as pessoas mais tristes caminhando. É que alguém mandou cortar as árvores! Acabou-se o belo. Acabou-se a sombra. Acabou-se a natureza.
Eu até perguntei na Secretaria do Meio Ambiente se podia. Me disseram que sim. A Semma autorizou! E hoje (13/5), quando passei, mais uma frondosa árvore estava sendo derrubada. Ela bem que tentou resistir, mas a motosserra foi inclemente. Caiu no meio da rua com um barulho ensurdecedor, com certeza protestando pela crueldade. Seus galhos de encontro ao chão explodiram feito palitos de fósforo crepitando. E ela ficou ali, indefesa, deitada no meio do asfalto ensolarado, como que agonizando a batalha perdida. Vencida pela motosserra e pelo coração impiedoso que deu a ordem. Suas flores e sementes se espalharam por toda a pista, sob o olhar entristecido dos motoristas que pararam para assistir a cena. Tombou ferida mais uma guerreira da árdua e insensata guerra urbana, que a cada dia mais conduz o ser humano a lugar algum!
Me disseram também que estas árvores estavam “machucando” o concreto da calçada. Quero crer que não seja isso, não é mesmo? Mas eu não posso deixar de me penalizar ao ver árvores que eu vi nascer, que cresceram com meus filhos e com os filhos de muitos moradores dali, que demoraram doze anos para se tornarem belas e frondosas e agora são sacrificadas aparentemente a bel prazer do nada. Dizem que o ser humano é impiedoso em sua essência. Talvez seja! É por isso que eu gosto da minha cachorra Milícia! Cada vez mais! (Jacqueline Didier)