Economia & Negócios

Sinergia quer fiscalização municipal

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo (Sinergia/CUT) quer a criação de uma comissão municipal para fiscalizar o setor em Bauru. A proposta foi apresentada pelo presidente da entidade, Djalma de Oliveira, durante a sessão da Câmara na última segunda-feira. “Além do órgão estadual, a cidade também precisa ter o controle dos serviços públicos, inclusive a eletricidade”, afirma.

Ele explica que as empresas prestariam contas a essa comissão. “Hoje, elas vêm aqui, exploram o serviço e, quando precisam dar satisfações, fazem isso em São Paulo.”

Oliveira afirma que ficou satisfeito com a receptividade dos vereadores. “Alguns deles já se dispuseram a nos ajudar nesse projeto. Vamos nos reunir com eles para elaborar uma audiência pública.”

Segundo Oliveira, a comissão já existe em Campinas e está sendo implantada em Franca.

O diretor de imprensa do sindicato, Francisco Vágner Monteiro, lembra que a idéia já havia sido proposta em 1998. “A audiência pública foi realizada e o projeto encaminhado para o Executivo. A cidade estava naquela transição de prefeito e ele acabou não caminhando.”

O presidente do Sinergia também aproveitou a passagem por Bauru para divulgar a campanha salarial da entidade, baseada nos seguintes pontos: salário e benefícios, emprego e condições de trabalho, liberdade e autonomia sindical e qualidade dos serviços com controle social. A data-base dos funcionários de 12 empresas do setor é em junho.

O sindicato defende a reposição salarial pelo Índice do Custo de Vida (ICV) do Dieese, que é de cerca de 19%. “Além disso, temos uma solicitação de aumento real”, diz Monteiro.

Oliveira conta que está visitando as principais cidades do Estado para conversar com os eletricitários. “A direção sindical está fazendo uma volta por todo o Estado. Sentimos que os trabalhadores estão mobilizados e, ao mesmo tempo, preocupados com a conjuntura do modelo energético.”

Sobrecarga

O sindicato estima que, somente na região de Bauru, trabalhavam cerca de 2 mil eletricitários antes da privatização, número que caiu para menos da metade. “A sobrecarga é muito grande, o que coloca em risco a saúde dos funcionários e o próprio sistema”, diz Oliveira.

O diretor de imprensa afirma que o Sinergia tem procurado fazer um sindicalismo diferente. “Tentamos entender o trabalhador como um cidadão. Nós extinguimos o imposto sindical obrigatório em 1992 e desde 1989 já devolvíamos o valor que era descontado”, afirma Monteiro.

Ele lembra que a entidade tem dado auxílio às 190 famílias do Grupo Terra Nostra, que desde o final do mês passado ocuparam uma área na região do Horto Florestal, na divisa entre Bauru e Pederneiras. “Estamos fazendo uma arrecadação de alimentos e agasalhos para que possamos ajudá-los.”

Em Bauru, os dirigentes sindicais foram recebidos pelo coordenador do Sinergia na região, Éverton Rodrigues de Matos.

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