• Reforma política
O Poder Executivo informa, oficialmente, o que estava desenhado: os detentores de cargos em comissão colocaram, coletivamente, seus postos à disposição do prefeito, ontem. Na prática, os comissionados foram convidados a não deixar o prefeito constrangido para efetuar mudanças que visam, em última análise, tentar salvar seu mandato.
• Sem grito, sem dor
A principal tarefa da árdua engenharia política do prefeito não será só mexer nos postos certos e de modo a compor com um grupo que garanta maioria a seu governo na Câmara. Nilson ainda terá que cuidar para que os que vierem a passar pela guilhotina política suportem a reforma sem gritar. Ou seja, sem abrir o bico...
• Engodo fatal
Por outro lado, o prefeito terá de demonstrar claramente que essa movimentação toda não é só pirotecnia. E mais: de que não servirá apenas para compor maioria de oito na Câmara nem para trocar o verniz do móvel que precisa de reforma em sua estrutura dorsal. Com o nível de tensionamento em que se encontra a cidade com sua classe política, qualquer engodo pode ser fatal.
• Novos e antigos
A renúncia do vereador Roberto Bueno (PTB), na manhã de ontem, colocou em pé de igualdade o placar dos desfechos das Comissões Processantes: José Humberto Santana e Osvaldo Paquito - marinheiros de primeira viagem - decidiram enfrentar o plenário e foram cassados. Walter Costa e Bueno - escolados por vários mandatos - não duvidaram da seriedade do Legislativo e decidiram renunciar ao mandato.
• Novo período
Para o presidente do Poder Legislativo, Renato Purini (PV), a Casa, a partir de agora, retomará suas atividades de produção para recuperar a difícil fase que enfrentou nos últimos meses. Purini acredita que o Legislativo se aplicou um “choque de credibilidade”, com reflexos positivos junto à opinião pública.
• Desgaste e coragem
O presidente da Câmara reconhece o desgaste institucional por que passou a Casa, mas acha que deve ser levada em conta a coragem do Legislativo de se auto-investigar e punir parte de seus próprios membros com a pior das punições no âmbito político, qual seja, a cassação de mandato. Não se tem notícia de quatro vereadores cassados ou renunciantes em tão curto espaço de tempo na mesma cidade.
• Suplente nilsista
“Vou somar com o prefeito na Câmara”. A afirmação é do primeiro suplente de vereador do PTB, Paulo Agustinho. Ainda diretor de coleta de lixo da Emdurb, Agustinho não pestanejou ao ser questionado de que lado vai atuar no Legislativo. Alguns analistas políticos avaliam que o desfecho das Processantes mais ajudou do que atrapalhou o prefeito Nilson Costa, hoje no PTB.
• Especulações
Por sinal, surgiram fortes especulações de que os ex-vereadores Walter Costa (PPS) e Roberto Bueno vão ter espaço na administração de Nilson Costa. Walter iria para a Cohab e Bueno assumiria, em clima de troca-troca, a diretoria de coleta de lixo da Emdurb, antes comandada por Paulo Agustinho, que assumirá sua vaga na Câmara. Ambos colaboraram e muito com o prefeito no Legislativo.