A Área de Livre Comércio das Américas será uma realidade mais cedo ou mais tarde, dado formato de como estão atuando os países no mundo todo. O fortalecimento regional é fundamental para garantir competitividade. São exemplos concretos a União Européia, os Tigres Asiáticos, entre outros. Não se trata de simplesmente discutir quem será submisso a quem, mas sim de como encontrar pontos convergentes para se atingir os objetivos comuns.
Se analisarmos pelo lado pessimista, poderemos imaginar, dadas as diferenças econômicas, que haverá predominância americana. Se analisarmos na ótica otimista, teremos escancarado para o Brasil o maior mercado consumidor do mundo.
Independentemente da ótica de análise, nos parece indicativo que o fortalecimento do Mercosul garantirá uma discussão, vamos dizer, mais soberana. Quando há diferenças estruturais como as observadas nos países do continente americano, nada melhor do que atuar em blocos mais próximos. Brasil e Argentina podem ser os líderes desse fortalecimento. Um importante passo foi dado com a volta da normalidade política da Argentina. Outro passo importante refere-se ao reconhecimento dos países da América do Sul da liderança do presidente brasileiro, Lula. Esses fatos podem indicar um novo momento na negociação.
O que não podemos é fugir ao debate. Como colocado, não se trata de ser a favor ou contra, e sim de encontrarmos um formato que garanta, ao longo do tempo, autonomia e crescimento sustentado. Fora essas questões, podemos remeter à retórica desse ou daquele grupo que estará mais interessado na mobilização quanto ao tema, marcando presença, do que efetiva solução. (O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, mestre em Comunicação, vice-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru - delegado do Corecon)