Política

Vereadores criticam investida de Nilson sobre o Legislativo

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A decisão do prefeito Nilson Costa (PTB) de retomar os cargos de confiança da administração espelha uma manobra política para tentar angariar mais apoio na Câmara Municipal. A constatação é de um grupo de vereadores consultados pelo Jornal da Cidade. Com isso, Nilson evitaria a instalação de uma Comissão Processante (CP) para apurar responsabilidades no pagamento antecipado de R$ 337 mil à empresa Bom Bife, fornecedora de carne da merenda escolar.

Para o vereador José Clemente Rezende (PSB), o prefeito deve convidar os parlamentares para lhes oferecer as vagas dos cargos que foram colocados à disposição. “Mas eu ainda espero que essa situação não seja oferecida como moeda de troca”, comenta.

O parlamentar crê que seus colegas de plenário não vão aceitar esse tipo de negociação porque a Câmara acaba de recuperar sua credibilidade perante a opinião pública, após cassar mandatos de dois vereadores e contribuir decisivamente para renúncia do mandato de outros dois.

A mesma opinião tem o vereador Edmundo Albuquerque (PPS). “Ele (Nilson) vai tentar fazer agora aquilo que não fez no passado, ou seja, encontrar novos rumos e atrair novos aliados”, diz. Ele acredita que a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Carne fez o prefeito “acordar” para a realidade política.

Alguns parlamentares, porém, são mais incisivos em suas conclusões sobre a manobra política praticada por Nilson. “Essa decisão de mandar todos colocarem seus cargos à disposição é vergonhosa. Já ouvi dizer que depois disso agora mandam seus ocupantes correrem atrás dos padrinhos para conversar. E, geralmente, muitos desses padrinhos são vereadores. Esse tipo de barganha política é da pior espécie”, critica o vereador João Parreira de Miranda (PSDB).

O tucano não tem dúvidas de que o prefeito corre contra o tempo para criar uma nova configuração político-partidária na Câmara para evitar a instalação de uma Processante que poderá colocar seu mandato em risco.

Divide a mesma opinião o vereador José Carlos Batata (PT). Para o petista, não é coincidência a CEI da Carne chegar na sua reta final com a administração municipal articulando uma “operação salvamento” do mandato do prefeito.

“Isso é uma faca de dois gumes. Pode ser que o prefeito consiga sucesso na empreitada, mas não se pode duvidar que a jogada também tem chances de não dar certo. E se isso ocorrer, as chances dele perder o mandato são grandes”, analisa.

A linha de raciocínio de Batata também é compartilhada pelo vereador Milton Dota Jr. (PTB). “Na verdade o que o prefeito quer com toda essa movimentação é conquistar a minoria mínima para evitar a cassação de seu mandato”, expõe.

Para a instalação de uma Comissão Processante é necessária a aprovação de maioria simples, no caso de Bauru 11 votos, o mesmo valendo para rejeitar o pedido. Na votação de um pedido de cassação, são necessários 14 votos para sua aprovação, ou seja, se o processado conquistar o apoio de oito parlamentares ele consegue escapar da perda do mandato.

“Mas aos 45 minutos do segundo tempo, ofendendo o juiz e os bandeirinhas, ele (Nilson) não conseguirá terminar o jogo”, compara o petebista.

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'Junto com os vereadores'

O chefe de Gabinete da Prefeitura de Bauru, Antonio Sérgio Marsola, admitiu ontem que o projeto de rearticulação político-partidária do prefeito Nilson Costa (PTB) por uma conversa com os vereadores.

“O que nós queremos é atrair pessoas que queiram ajudar a gente a administrar a cidade. E isso passa também pelos vereadores, que são representantes do povo e tem um papel importante no contexto”, diz.

Marsola garante que a administração quer se aliar aos parlamentares. “Essa conversa existe desde antes da instalação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Carne. Desde aquela época já discutíamos a possibilidade de o prefeito se filiar ao PTB, já conversávamos com o PMDB, com o PL, partidos com vereadores.”

Para o chefe de Gabinete, não procede a constatação de que a administração retomou os cargos de confiança para lançar uma balcão de negócios com o Poder Legislativo. “Isso é pura imaginação fértil.”

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