A vereadora Catarina Carvalho (PFL) quer instalar banheiros móveis no Calçadão da Batista de Carvalho, entre as quadras 1 e 7. Na segunda-feira, ela protocolou na Câmara Municipal de Bauru um projeto de lei que prevê o funcionamento de um sistema moderno e ecologicamente correto de cabines sanitárias móveis.
Embora a idéia tenha agradado os consumidores ouvidos pelo JC, descontentou representantes de lojistas e empresários. Se a proposta for aprovada pelo Legislativo - deve entrar na pauta de votações dentro de um mês, após tramitar pelas comissões internas da Câmara - as despesas com a instalação e manutenção das cabines serão arcadas por empresas interessadas em explorar o espaço publicitário nos banheiros.
Catarina argumenta que a instalação dos banheiros é uma necessidade de grande parte da população, além de ser um benefício para os consumidores da região que freqüentam o comércio central, já que o único banheiro público disponível fica na Praça Rui Barbosa, ou seja, no final do Calçadão.
“Recebi muitas ligações pedindo banheiros na Batista. Principalmente para as pessoas que têm necessidades especiais, a idéia é muito útil. Esse é um sonho antigo, que vem desde o meu primeiro mandato. Cabines assim são instaladas em países de primeiro mundo, como em Israel. No passado, conversei com os comerciantes”, conta a vereadora, ao comentar seu primeiro projeto protocolado, desde que assumiu o segundo mandato, há quase um mês.
Se proposta de Catarina dependesse só da vontade do presidente da Associação do Calçadão, Francisco Alberto Franco de Bernardes, não seria implementada. Na opinião dele, a idéia é de mau gosto. Bernardes critica a possibilidade dos banheiros permanecerem em frente das lojas e o fato de a vereadora não ter consultado os comerciantes recentemente.
“A associação está tentando fechar um convênio com a prefeitura para recuperar a Praça Rui Barbosa. A idéia é deixar o banheiro da praça mais limpo e bonito, com mais funcionários. Se é para instalar um outro banheiro, que seja na Praça Machado de Mello. A associação já está de olho nesse problema, que tem de ter um outro tipo de solução”, destaca o comerciante.
Ele ainda ressalta que o uso das cabines como espaço publicitário pode resultar em poluição visual no Centro da cidade, problema que está sendo combatido com o processo de revitalização da região.
“Será difícil encontrar alguém que se disponha a fazer propaganda em banheiro público. Às vezes aparecem uns loucos que vendem papel higiênico ou desinfetante e que topam. Mas o projeto é ridículo, não tem sentido. Falta bom senso”, censura o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho.
Quem também não aprova a instalação do sistema é o comandante da 1ª Companhia de Polícia Militar (PM), capitão Benedito Roberto Meira. Para ele, se não houver uma pessoa constantemente cuidando das cabines, elas podem transforma-se num local para o consumo ou o tráfico de entorpecente. “Os sanitários também podem ser usados para esconder produtos furtados. Uma obra de alvenaria na Praça Machado de Mello, ao lado da Base Comunitária da PM, seria mais viável”, diz.
Embora também considere estranha a proposta da vereadora, a esteticista Fúlvia Cafeo não reprova a idéia, principalmente porque avalia o banheiro da Praça Rui Barbosa como perigoso. “Já passei apuros (com vontade de ir ao banheiro) aqui no Centro e precisei entrar na loja de uma amiga minha e pedir para usar o sanitário”, lembra.
Situação semelhante viveu Maria Helena da Silva, que preferiu voltar para casa. “Se for limpo (o banheiro), vale a pena. Mesmo que tenha que pagar a taxa”, defende. Adriana Peixoto também é favorável à instalação de cabines porque tem filho pequeno, que não espera para ir ao banheiro.
____________________
Exigências
Se a proposta de instalar banheiros móveis no Calçadão da Batista de Carvalho for aprovada pelos vereadores, os sanitários deverão dispor de ventilação mínima, pia para lavar as mãos, separação por sexo, um responsável pela manutenção diária do sistema e higienização adequada.
As exigências partirão do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Secretaria Municipal de Saúde, que deve assumir a atribuição de fiscalizar as cabines. De acordo com a diretora do DSC, Maria Helena Abreu, a limpeza inadequada do local pode resultar na transmissão de verminose, micoses e algumas doenças sexualmente transmissíveis, como o HPV e a hepatite.
“O assunto deve ser analisado. O que tivemos aqui (em Bauru) são banheiros temporários. O permanente é mais complicado. Ainda não sabemos como vai funcionar”, explica Abreu.
A autora do projeto de lei, a vereadora Catarina Carvalho (PFL), também não soube dar detalhes sobre o funcionamento do sanitário porque no momento da entrevista estava sem o material relativo ao assunto. “A idéia é instalá-los próximos às calçadas”, acrescenta.
O JC apurou que os sanitários químicos são cabines portáteis de aproximadamente 1,4 metro quadrado com cerca de 2,3 metros de altura. Eles dispõem de caixa de dejetos instalada sob o vaso sanitário.
As caixas funcionam com uma mistura de água e produto químico responsável pela degradação do material sólido e comportam aproximadamente 120 litros. Dependendo do fluxo dos usuários, deve ser substituída diariamente. As unidades são autônomas e não precisam de instalação de água corrente nem esgoto. Em Bauru, elas já foram instaladas em exposições no Recinto Mello Moraes.
O Departamento de Água e Esgoto (DAE) desconhece o funcionamento do sistema proposto pela vereadora porque só oferece banheiros públicos móveis com instalação direta nas redes de água e esgoto. Esse tipo de vaso sanitário foi instalado no sambódromo, em períodos de Carnaval.
Segundo a assessoria de imprensa da autarquia, os dois módulos oferecidos pelo DAE foram desativados devido à ação de vândalos, que quebraram as instalações. A destruição também interditou, por um mês, o banheiro público da Praça Rui Baborsa, que foi reformado no ano passado.
Atualmente, ele funciona das 8h às 19h sob a vigilância de funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). De acordo com a assessoria de comunicação da Emdurb, o mesmo trabalhador é responsável pelo fluxo de usuários e pela limpeza das instalações.