A feira de Caruaru oferece todos os tipos de comida e artesanato típico.
A etimologia da palavra que deu origem ao nome da cidade pernambucana de Caruaru diz tudo. Alguns estudiosos afirmam que a palavra vem do dialeto dos índios cariris e que “caru” quer dizer “alimento, coisa boa” e “aru aru”, repetição que significaria “abundância”.
Para quem não conhece essa cidade do sertão nordestino, falar de abundância pode soar estranho, mas Caruaru é a fartura por excelência. Suas famosas feiras - “inté no Sul” como cantou Luiz Gonzaga -, sua música e seu rico artesanato, com trabalhos de artistas como Mestre Vitalino, não negam a fonte.
E, sempre que pode, Caruaru celebra esta privilegiada condição. Localizada a 140 quilômetros do Recife, a cidade tem vocação para a festa desde os tempos dos portugueses, que lá deixaram as sementes de São João, sempre regado a muito vinho quente, canjica e fogos de artifício. Um festejo farto que dura junho inteiro e atrai mais de um milhão de pessoas. Caruaru, a capital do São João.
As feiras
Numa feira como manda o figurino, a variedade é a alma do negócio - tem de ter de tudo um pouco. Se você é do tipo que não perde aquela feirinha do bairro, nem que seja apenas para tomar caldo de cana e saborear um pastel, não vai resistir às feiras de Caruaru. Mais conhecida como capital mundial do forró (que Campina Grande, Aracaju e São Luís não nos ouça), Caruaru nasceu e foi criada em uma feira.
Os colonos portugueses viviam por lá em busca do pau-brasil e da cana-de-açúcar. Hoje, são turistas os portugueses - e também franceses, ingleses, alemães, além é claro de nós, os “sulistas”- que andam de barraca em barraca em busca das mil e uma ofertas.
Como bem disse o pernambucano Luiz Gonzaga na música Feira de Caruaru: “...tem louça, tem ferro véio/Sorvete de raspa que faz jaú/Gelada, caldo-de-cana/Fruta de palma e mandacarú/Bonecos de Vitalino/Que são conhecidos inté no Sul/De tudo que há no mundo/Tem na feira de Caruaru.”
São quatro as feiras mais importantes da cidade: a de artesanato, a livre (de legumes, frutas e afins), a de “importados” (com eletroeletrônicos, parece até que você está no Paraguai!) e a Sulanca, de roupas e acessórios. Todas são montadas num imenso espaço, o Parque 18 de Maio, no centro da cidade, diariamente (menos domingo).
Quem busca lembranças do Nordeste, a de artesanato é o paraíso. Dos famosos bonecos de barro a tapetes de palha de bananeira, de sandálias e bolsas de couro legítimo a camisetas com a estampa de Virgulino Ferreira (ele mesmo, Lampião), tem de tudo um pouco.
A variedade e os baixos preços (um tapete de palha de bananeira de 2 metros por 2 metros sai por R$ 5, chapéu de couro, R$ 10 e por aí vai) são um convite para a compra desvairada, que só é freada quando nos damos conta de que o espaço na bagagem ficou pequeno.