Com 30 dias de atividades após a implantação (em 12 de abril) do novo sistema adotado para o transporte coletivo na cidade (modelagem), a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) registrou uma redução de custos de R$ 504.547,80. O valor se refere à soma dos últimos 15 dias de abril e primeira quinzena deste mês.
De acordo com o diretor de Transportes da empresa, Waldomiro Fantini Júnior, esse valor equivale ao déficit mensal que a Câmara de Compensação Tarifária vinha registrando antes da modelagem do sistema - que girava em tono de R$ 500 mil a R$ 600 mil. Desta vez, o déficit em 30 dias caiu para R$ 30 mil.
Apesar da significativa queda nos custos, Fantini Júnior afirma que não é possível fazer uma estimativa de em quanto tempo seria possível equilibrar as perdas que vêm sendo registradas pela Câmara. “Isso depende de uma série de variáveis e da própria economia brasileira, que atinge diretamente o público usuário do transporte coletivo”, observa.
Em janeiro deste ano, o custo do sistema era de R$ 3.812.580,20. Com a redução em torno de R$ 500 mil alcançada após a implantação da modelagem, o custo caiu para R$ 3.308.032,40 (queda de 13,23%). Antes da modelagem, os ônibus rodavam cerca de 1,8 milhões de quilômetros por mês. Após a mudança caiu para 1,5 milhão de quilômetros mensalmente.
Para o presidente da Emdurb, Edmilson Queiroz Dias, a redução do custo na proporção em que ocorreu traz uma tranqüilidade maior aos usuários do transporte coletivo, já que com essa economia evita-se o sucateamento da frota em função do aumento da dívida da Câmara de Compensação Tarifária.
Longo caminho
Para o diretor de Transportes da empresa, ainda há um longo caminho a ser percorrido para, efetivamente, melhorar os números da câmara.
“Por enquanto, nós apenas conseguimos evitar que o déficit continuasse no patamar de R$ 500 mil a R$ 600 mil. Mas mesmo assim, houve queda nesses 30 dias (de R$ 30 mil). A melhora dessa situação depende, principalmente, do volume de passageiros para ter uma receita positiva ou negativa”, destaca Fantini Júnior.
De acordo com ele, nos últimos meses tem diminuído a quantidade de usuários do sistema de transporte coletivo.
“Estamos vivendo uma época de desemprego e de dificuldades no setor econômico. Mês a mês nós sentimos uma queda no número de passageiros. Para economizar, muitas pessoas que utilizam quatro passes para ir e voltar do trabalho estão usando dois e faz em uma parte do trajeto a pé. Em outros casos, os patrões reduziram os quatro passes pela metade”, observa.
Essencialmente, Fantini Júnior alega não ser possível fazer nenhum tipo de previsão em relação aos próximos resultados da Câmara de Compensação Tarifária em função do que ele chama de uma “equação com duas incógnitas”: o custo e a arrecadação mensais. O dissídio da categoria também é citado como agravante momentâneo.
Ele afirma que não será possível equilibrar os número da Câmara de Compensação Tarifária somente através desses resultados diretamente ligados à implantação do novo sistema. “É preciso buscar outros meios para equacionar essa situação. Um deles é a bilhetagem eletrônica e o passe-integração”, diz o diretor de Transportes.
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Passe-integração
Para o presidente do Conselho de Usuários do Transporte Coletivo, Rubens de Souza, para que os resultados fossem melhores a implantação da modelagem deveria ocorrer juntamente com a adoção do passe-integração.
“O fato dos custos terem caído após a implantação das mudanças resultantes da modelagem é a prova de que ela precisava ocorrer. Mas na minha opinião, o equilíbrio da Câmara de Compensação Tarifária depende das ações do gestor do sistema de transporte coletivo”, diz Souza.
Na opinião dele, é necessária a tomada de ações mais firmes para atrair os passageiros. “Muitas pessoas deixam de utilizar o transporte coletivo porque estão insatisfeitas com o atual modelo. A população está empobrecendo, e o aumento da tarifa de R$ 1,00 para R$ 1,20 (ocorrida em 3 de dezembro do ano passado) assustou muitos usuários”, observa.
Souza cita campanhas que são realizadas em outras cidades do Estado de São Paulo que atraem as pessoas. Segundo ele, em alguns municípios o transporte é gratuito uma vez por mês. “Aqui em Bauru, por exemplo, poderiam ser oferecidos descontos. É preciso atrair os passageiros”, insiste.