Economia & Negócios

MPF denuncia suspeita de adulteração

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

O Ministério Público Federal (MPF) de Bauru ofereceu denúncia contra dois empresários de Bauru acusados de comercialização de combustíveis sem autorização e de adulteraçã de gasolina. Os empresários - irmãos Jorge Arthur Sahão e Luís Sérgio Sahão - são sócios-proprietários da Indústria e Comércio Rijor Ltda, Distribuidora de Petróleo Diesel Forte Ltda e Sahão & Sahão Ltda, localizadas no município de Pederneiras.

Luís Sérgio nega as acusações e afirma que ele e seu irmão ficaram “assustados” com a diligência realizada pelo MPF no início do mês em suas empresas com auxílio da Polícia Federal (PF).

De acordo com a denúncia do MPF, feita pelo procurador Pedro Antônio de Oliveira Machado, foi constatado que os sócios comercializavam combustíveis para postos de revenda sem autorização da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Ainda, Jorge Arthur teria declarado que revendia combustível para postos de Pederneiras e São Manuel sem nota fiscal ou com nota de venda de querosene, que depois era cancelada.

No dia da diligência (2 de maio), o MPF também constatou no local a existência de um caminhão tanque carregado de gasolina. Segundo uma análise preliminar, foi verificado que o combustível estava em “absoluta desconformidade com as especificações da ANP”, conforme consta no texto da denúncia oferecida pelo procurador.

O MPF apreendeu o caminhão tanque com gasolina e lacrou outros caminhões que estavam vazios. Também foram apreendidos diversos documentos e cheques. De acordo com a denúncia, vários titulares/correntistas desses cheques eram proprietários de postos de revenda de combustíveis em diversas cidades.

A Polícia Federal abriu inquérito para apurar supostos crimes contra a ordem econômica, caracterizada pela distribuição e venda irregular de combustíveis, e contra a ordem tributária. O crime contra a ordem econômica prevê detenção de um a cinco anos.

O outro lado

O empresário Luís Sérgio Sahão, sócio de seu irmão Jorge Arthur Sahão nas empresas denunciadas pelo Ministério Público Federal de Bauru, nega as acusações de venda irregular e adulteração de combustíveis.

De acordo com o empresário, suas empresas trabalham no ramo de envasamento de querosene, álcool para uso doméstico e produtos de limpeza. Instaladas há dez anos, empregam cerca de 60 funcionários.

Os caminhões tanque das empresas (segundo ele, cerca de 12) serviriam para transportar combustível das distribuidoras para dois postos de combustíveis de sua propriedade - um em Bauru e outro em Pederneiras.

Segundo Luís Sérgio, suas empresas não comercializam combustível para postos de revenda. O empresário também confirma não ter autorização da Agência Nacional de Petróleo para tanto.

Quanto à gasolina fora das especificações, Luís Sérgio afirma que houve um equívoco de um funcionário, que despejou cerca de 800 litros do combustível em um caminhão tanque que já estava carregado de álcool. “Por uma infelicidade, nós tínhamos 3 mil litros de álcool dentro de um caminhão que estava parado há muito tempo”, diz.

Segundo Luís Sérgio, a empresa é um “livro aberto”, e há ordens expressas para que não seja vendido nenhum produto sem nota fiscal. Para ele, a investigação do MPF deve ter partido de “denúncia de algum concorrente”.

Ainda de acordo com o empresário, a ação da Procuradoria junto com a Polícia Federal “assustou” a ele e o seu irmão, pois os policiais já teriam chegado à empresa com metralhadoras em punho. “Nunca pensei na minha vida que fosse passar por uma situação dessa”, declara.

“Eles pensaram que iam encontrar solvente de borracha, mas não encontraram um litro de produto de adulteração de gasolina”, diz Luís Sérgio Sahão.

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