Tribuna do Leitor

Pra gente ver


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“Ver tipos humanos, conversar com eles, eis minha melhor opção”, disse-me, certa vez, uma professora bastante viajada. Não é preciso ir longe, nem viajar. Sem qualquer sentido de crítica - pois sei que também sou observado - pelas minhas esquisitices - basta postar-se no Calçadão da rua Batista e observar; ou ir à avenida Getúlio Vargas; ainda nas praças, ou simplesmente caminhar sem rumo certo. Gente de bermuda, com o frio e casaco pesado, ou, de calças compridas, sem casaco (de camiseta sem mangas). “Moro no Bauru 16”. Eu nem sei onde fica. No Leão 13, no Mary Dota, no Jardim Jussara, ou Vila Jussara, e assim por diante. Sou bancário; cato latas de cerveja; sou piloto de mototáxi; sou desempregado ou estou à caça de um serviço; credo de homem feio! Ou é bonito maltratado, pensa a cabeça, sem prestar muita atenção nas moçoilas de bustie, mesmo com 18 graus de temperatura.

A TV prende, em casa, meio mundo, depois das 19h, e acabou-se ou acabaram-se os brinquedos de “salva”, “passa-anel”, “gestos mais bonitos”; beijinhos, só longe de casa ou no escurinho do cinema. Mas ainda se vai ao cinema? “Carandiru” mostrou que sim. Aonde quero chegar? A lugar algum, fico no meu cantinho e quando me dá vontade de ir longe de onde estou, desisto e puxo prosa com a pessoa que está ao meu lado no banco da Batista. Descobre-se, quase sempre, que a gente já se viu ou nossos amigos são colegas do até então estranho. Vêm de Piratininga, Lençóis, Jaú, Pirajuí, Tibiriçá, Avaí, São Paulo. Conversei com um andarilho que comprovou, através de notas fiscais que veio, em 20 dias, de Curitiba a Bauru, a pé. São 700 quilômetros. Grato por quem teve paciência de chegar até aqui lendo. Fim (The End). (Danton Gamba, triste pelo Dia do Desafio, do qual não participou)

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