Oficialmente, o inverno só começa daqui a 20 dias, mas as temperaturas já estão bastante baixas durante a noite e quem sofre mais com a queda são os trabalhadores que não podem estar sob as cobertas como a maioria das pessoas durante a madrugada.
Mas como para tudo o brasileiro arruma um jeito, com o frio não é muito diferente. Até jornal se transforma em proteção.
O recurso é usado pelo taxista Nivaldo Belório Peres, 48 anos, que já contabiliza 21 invernos dentro do carro. Para se aquecer, ele coloca diversas folhas de jornal no assoalho do veículo e garante que o papel impede a “friagem que sobe”.
Mas não é só. No momento da entrevista, Peres usava três blusas, meias grossas e um abrigo sob a calça jeans. Ele revela que esconde um cobertor no porta-malas e não se intimida em usar.
Segundo o taxista bauruense, cujo ponto fica na rodoviária, o único inconveniente da estação é o choque térmico provocado por ter que sair do carro para abrir a porta ou o porta-malas para um passageiro. “Mas já estou acostumado, já criei couro de jacaré e apesar daqui ser muito frio, eu nunca fiquei doente”, conta.
Além de muita roupa e do truque do jornal, o cafezinho bem quente é outro recurso que o taxista usa para conter as baixas temperaturas.
Já a balconista Gislene Hader Dias, 34 anos, adota o leite bem quente com canela para rebater o frio. “Esquenta tudo”, defende.
Como Nivaldo, Gislene também sofre as diferenças térmicas, e não somente com a água fria da pia e as xícaras quentes de chá, café ou leite. Há um ano e três meses, ela trabalha no turno das 15h às 23h numa cafeteria, que também fica na rodoviária de Bauru. No inverno, como a maioria dos freqüentadores do local, ela precisa ir de malas para o trabalho.
“O segredo de combater o frio é muita roupa, mas quando saio de casa está bem quente e quando chego está muito frio. Então, venho de mala e cuia, com blusa de lã e jaqueta”, relata e acrescenta que não dá para trabalhar sem meia calça bem grossa. Caso contrário, o frio fica insuportável.
Afinal, além de pegar uma boa parte do turno da noite, a balconista ainda precisa pegar dois ônibus para voltar para casa, onde chega depois da meia-noite.
Mas Gislene não reclama, no inverno passado trabalhou no turno da madrugada e disse que foi um dos piores que já passou. “Eu passei muito frio, teve noite de fazer três graus e ainda ser 3 horas da madrugada. Mas mesmo com o quente e o frio ao mesmo, não fiquei doente. Acho que a gente acostuma, né?”, comenta.
Proteção
Os especialistas apontam que manter-se protegido é a melhor maneira de ficar longe das gripes, tosses, resfriados e demais doenças de inverno.
Para isso é necessário uma alimentação equilibrada com frutas e verduras, muita água e bastante agasalho. Os exercícios físicos também são aconselháveis para aumentar a resistência do organismo.
Em casa, na rua ou ambiente de trabalho, deve-se evitar choques térmicos. Aglomerações e salas sem ventilação também devem ser evitados, pois são propícios à proliferação de vírus.
Em muitas empresas, a campanha de vacinação está sendo efetuada e o trabalhador não deve perder a chance de tomar a vacina e garantir um período de imunidade.
Mesmo se com tudo isso a gripe chegar, adote o tratamento da vovó: cama, líquidos e chás. Nada de automedicação. Se o incômodo persistir ou vier muito forte, não demore para procurar um médico.