JC Criança

Gostar de ler: prazer de muitos

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 3 min

É comum a gente ouvir adultos falarem “eu não tenho o hábito de ler”, “não fui estimulado e leio pouco”. Mas será que leitura é mesmo um hábito? Como isso começa? E quem ainda não tem? Pode adquirir? Bom, para todos esses questionamentos, o JC Criança foi conversar com gente grande que entende de livro para gente pequena e ouviu também a garotada, assim dá para saber um pouquinho como a coisa funciona.

Renata Junqueira de Souza é doutora em teoria da literatura e especialista em literatura infantil, além de desenvolver vários projetos de incentivo à leitura em Presidente Prudente, onde é professora da Unesp. Ela conta que os teóricos afirmam que os leitores são formados até os 12 ou 13 anos, depois disso fica mais difícil. “É claro que existem exceções. Eu mesma comecei a me interessar pela leitura aos 17 anos, mas estimular a criança a ler é muito importante”, orienta.

Para que a garotada sinta interesse pela leitura, é necessário que os livros sejam apresentados como algo interessante, gostoso. “Geralmente quem orienta a leitura é a escola. Em casa, às vezes, os pais compram livros sem nenhuma orientação. A criança tem fases em que se interessa mais por alguns assuntos e menos por outros”, conta.

Se você é do tipo que não se interessa por nenhum livro, Renata Junqueira dá algumas sugestões.

“Aproveite o horário na escola para visitar a biblioteca, olhe os livros. Você pode escolher livros informativos sobre o assunto que você mais gosta. Pode ser carro, futebol, dinossauro, tem opção para todos os gostos.”

“É importante que você escolha o que quer ler. Nem sempre o primeiro livro que cai na nossa mão é o que a gente vai gostar. Não importa se a letra é grande, tem bastante ilustração. Importante é começar e ler a história até o final.”

“Respeite o seu ritmo, com o tempo, você vai escolher outros estilos.”

“Depois de ler, pense o que você gostou e o que não gostou no livro. O livro é uma escolha pessoal, tem gente que gosta de livro de bicho, outros que preferem livros de fadas.”

“Às vezes, a gente se identifica com um autor. Eu, por exemplo, gosto dos livros da Sylvia Orthof, gosto do estilo prosa poética.”

Ler em casa

No ano passado, governos estadual e municipal iniciaram o programa “Literatura em minha casa”, que forneceu kits com cinco livros de gêneros literários diferentes para alunos de escolas públicas de 4.ª e 5.ª séries. “A proposta era que o livro chegasse na casa do aluno, assim também seria lido pelo irmão, pelos pais, tios, amigos. Mas houve casos em que os livros ficaram parados nas escolas”, comenta Renata.

Ela avalia a importância do projeto pela qualidade dos títulos escolhidos e a diversidade de gêneros: “O aluno recebeu um livro de cada gênero: poesia, literatura infantil, contos, clássicos e obra teatral ou folclore.” Além disso, o aluno tem acesso ao livro inteiro e não apenas a um fragmento, como no livro didático. Neste ano, os livros devem ser distribuídos aos alunos de 4.ª série das escolas públicas, com a mesma proposta.

Sugestão aos pais

Menores de 5/6 anos - livros com poucos personagens, com rimas, contos-de-fadas. Trabalhar os sons, as cantigas;

7 a 9 anos - livros que tratam da fantasia, os contos-de-fadas - agora lidos por ela -, os contos modernos, que questionam os contos tradicionais;

9 a 12 anos - livros de aventura com uma certa mágica;

12 a 15 anos - aventura pura.

A especialista em literatura infantil sugere a relação de livros premiados pela Fundação Nacional de Literatura Infantil e Juvenil, com base na produção de 2002 (veja nesta página), da qual ela é votante.

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