Não pode a sociedade entender a vida financeira do País sem penetrar bastante nos segredos da dívida externa, da balança comercial e das taxas de câmbio, uma vez que as elevações dos preços e as tensões políticas nacionais ligam-se substancialmente aos vínculos que a nossa economia mantém com as de outras nações do mundo. Em uma pergunta insistente, então, com sobras de razão, a sempre interessada opinião pública, pretendendo inteirar-se dos motivos pelos quais a dívida, embora tendo diminuído um pouco, continua em dose cavalar. Para os economistas, contudo, não há segredo, atribuindo eles o intrincado problema aos aumentos incisivos dos preços do petróleo. Sim, exatamente, o combustível que vem de longe, autogastando-se no consumo dos navios petroleiros, constitui, sem dúvida - afirma-se - o polo gerador dos saltos - baixos da nossa economia. Não obstante, poder-se-ia afiançar conscientemente que os árabes, produtores da maior parte da gasolina e tipos de óleos consumida pelo Brasil, seriam mesmo os principais responsáveis pelos problemas da nossa dívida? Afirmam os economistas que não, absolutamente não, assegurando que as contínuas majorações na cotação do produto unicamente tornaram mais difíceis de superar as contradições advindas da crise mundial. E donde teriam vindo referidas contradições? Da industrialização, por certo, que o País vem atravessando, com passadas bem largas, de elefante talvez, objetivando participar, tanto quanto possível, da enorme concorrência do capitalismo estrangeiro, tendo por finalidade competir com a produção externa mediante invasão do mercado dos países desenvolvidos, modernos, de tecnologia avançada e, conseqüentemente, mais produtiva que a nossa. Debita-se para esses fatores o deslanche do nosso débito que, após 1973, ultrapassou a taxa de 35 por cento ao ano, vestindo-se com danosas roupagens financeiras porque os aumentos dos juros foram bem maiores que os que gravam os das importações. Já se pergunta qual a real idéia que tem o novo governo sobre o assunto e se tem algo melhor que o do seu antecessor para levar ao recuo o que a Nação deve ao Exterior, ou seja, aos banqueiros internacionais. Teria alguma capaz de mudar o panorama? Esperam-se esperançosos, baseados nas suas promessas eleitorais. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)
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