A primeira semana da conta Caixa Aqui, voltada para clientes de baixa renda, registrou quase 500 aberturas na área de abrangência do Escritório de Negócios da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru. Apesar da boa procura e das facilidades anunciadas pelo banco, o cliente deve ficar atento ao limite de operações oferecidas para se manter livre das taxas.
Até o final do ano, a CEF espera abrir 500 mil contas Caixa Aqui. O público-alvo são trabalhadores de baixa renda, com ou sem carteira assinada. A conta popular oferece vantagens: para abri-la não é necessário comprovar renda nem depositar um valor mínimo. Basta apresentar os documentos de identidade, CPF e comprovante de residência. O valor máximo que pode ser operado nesta conta é de R$ 3 mil.
As operações podem ser feitas nos cerca de 14 mil pontos da rede de atendimento da Caixa, e a conta oferece opção de cartão de débito para compras no comércio. O cliente não paga tarifas desde que não ultrapasse o limite de quatro operações de saque ou extrato por mês. Acima disso, há cobrança de R$ 0,50 por cada operação do tipo. Sobre as movimentações também incide a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
De acordo com a gerente-geral da CEF em Bauru, Selma Peres Rubira, a procura pela conta está sendo “muito boa” nas agências de Bauru e região. Segundo ela, além da pouca burocracia e da isenção de tarifas, a “segurança” de manter o dinheiro guardado em banco tem atraído os novos clientes.
Selma também diz que após algum tempo de conta o cliente poderá pleitear outros produtos, como talão de cheques e empréstimos pessoais. “É uma conta para a pessoa guardar os recursos dela, mas com o tempo ela pode ter outros produtos”, afirma a gerente.
A secretária Inara Cicarelli dos Rios afirma que optou por abrir esse tipo de conta para “guardar dinheiro”. Como há isenção de tarifas e ela pretende poupar para adquirir um carro, a conta popular mostrou-se vantajosa. “O melhor é que não vou ter tarifação. Em qualquer banco eu teria uma taxa para manter a conta”, diz.
Para Inara, o fato de poder utilizar o cartão em casas lotéricas e terminais de auto-atendimento também é atrativo. “Embora seja uma conta só movimentada no cartão, ela me dá a facilidade de depositar e sacar numa casa lotérica, não preciso enfrentar fila”, afirma.
O gerente financeiro João Viscelli, de uma empresa de construção civil, conta que os pagamentos agora são feitos apenas por meio do cartão. Por mês, de 150 a 200 funcionários da empresa devem receber o salário diretamente na conta. “Escolhi (a conta) pela segurança e pela praticidade. Para sacar o dinheiro e fazer o pagamento do pessoal na obra é complicado e até arriscado”, diz.
Atenção
Para o economista Fernando Pinho, o trabalhador que optar pela conta popular da Caixa deve ficar atento à “empurrometria”, ou seja, o estímulo à utilização de produtos e opções arriscadas que podem estar disponíveis a esses novos clientes, como o cheque especial e o cartão de crédito.
O economista também alerta para o limite de operações, que quando é ultrapassado implica em tarifas. “Se eu só posso sacar quatro vezes ao mês (sem taxa) e tiver algum problema, como faço?”, questiona. Para ele, a não ser que o cliente queira guardar o dinheiro no banco por questões de segurança, o melhor é deixá-lo no bolso.
Pinho, no entanto, vê a iniciativa da Caixa de ampliar a abrangência do sistema bancário para outros setores da população como um bom sinal. “É óbvio que há o lado positivo, que é a inclusão dessas pessoas, a chamada ‘bancarização’”, diz o economista.