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Alunos de 4 cursos da Unesp prometem boicotar o Provão

Da Redação
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Formandos dos cursos de arquitetura, jornalismo, psicologia e matemática do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) prometem boicotar o Exame Nacional de Cursos, o Provão, que será realizado neste domingo. Uma comissão de imprensa foi criada pelos estudantes, que apresentaram uma carta aberta com os motivos para a decisão.

“O Provão tem a intenção de avaliar um curso de quatro ou cinco anos em quatro horas. Além disso, a universidade é baseada em ensino, pesquisa e extensão. No Provão, só o ensino é avaliado”, afirma Gustavo Villas Boas, aluno de jornalismo.

Luciana Noronha, também do curso de jornalismo e integrante da comissão, conta que os alunos participaram de várias discussões sobre a avaliação, inclusive com a presença de professores e coordenadores do curso. “Alguns professores apóiam nossa decisão e alguns são contrários ao boicote, porque dizem que outra nota baixa pode diminuir o número de bolsas de pesquisa e extensão e de verbas para o curso”, explica. O curso de jornalismo tirou conceito E nos últimos dois anos, assim como matemática e psicologia. O curso de arquitetura e urbanismo, que teve seu primeiro Provão no ano passado, também tirou E. O único curso que teve boicote completo dos alunos nos últimos anos foi o de psicologia.

“Alguns alunos disseram que vão fazer (a prova) porque acreditam nesse sistema de avaliação, mas a maioria vai mesmo boicotar. A gente quer uma avaliação da universidade, mas o Provão não é completo nem contínuo, é pontual”, diz André Lanzoni, estudante do curso de matemática. A reportagem do JC apurou que há alunos de todos os cursos que não concordam com o boicote e pretendem fazer o Provão neste ano, mas nenhum se dispôs a manifestar-se.

Todos os alunos devem comparecer aos locais de prova, já que a presença é obrigatória para obtenção do diploma. O boicote é caracterizado pela entrega da prova em branco.

Entre os motivos para o boicote citados na carta aberta dos estudantes, estão o foco da avaliação no aluno ao invés da instituição de ensino, a avaliação pontual e não ao longo do curso, a não-avaliação de todas as atividades dos cursos (ensino, pesquisa, extensão) e a afirmação de que o exame é punitivo quando deveria ser formativo e transformador, apoiando a melhora no ensino.

O Provão

De acordo com a assessoria de imprensa do Instituto Nacional de Ensino e Pesquisas Educacionais (Inep), estão inscritos para o Provão 2.802 alunos de 36 cursos de seis instituições de ensino superior de Bauru.

No Brasil todo, serão quase 470 mil estudantes, de 6,5 mil cursos de 26 áreas distintas. O Ministério da Educação (MEC) e o Inep vão realizar a prova nas 704 cidades onde os cursos funcionam. Em Bauru, o Provão será realizado no Colégio Preve Objetivo e nas escola estaduais Rodrigues de Abreu Christino Cabral, José Aparecido Guedes de Azevedo e Ernesto Monte.

Todos os inscritos devem receber o cartão informativo com indicação do local da prova e um questionário sócio-econômico, que deverá ser respondido e entregue no dia da prova. Aqueles que não receberam o cartão podem descobrir onde vão fazer a prova na secretaria de seu curso ou no site www.inep.gov.br.

Os cursos avaliados neste ano são agronomia, arquitetura e urbanismo, administração, biologia, ciências contábeis, direito, economia, enfermagem, engenharia civil, engenharia elétrica, engenharia mecânica, engenharia química, farmácia, física, fonoaudiologia, geografia, história, jornalismo, letras, matemática, medicina, medicina veterinária, odontologia, pedagogia, psicologia e química.

O Provão tem início às 13h, e vai até as 17h. É recomendável que os inscritos cheguem em seus locais de prova cerca de meia hora antes. A permanência mínima na sala é de uma hora e 30 minutos, após o início do exame.

O boletim de desempenho do participante poderá ser acessado pela Internet a partir de novembro, com uma senha pessoal que o aluno vai receber no dia da prova. A presença do formando é obrigatória para obtenção do diploma, mas a nota não será informada no certificado. Somente a participação no Provão constará no histórico escolar.

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Mudança

O ministro da Educação, Cristovam Buarque, confirmou nesta semana que este será o último Exame Nacional de Cursos realizado com este formato. “Nós queremos uma avaliação melhor, mais completa, mas para fazer essas mudanças nós estamos ouvindo a comunidade”, disse o ministro em nota à imprensa.

A apresentação de uma nova proposta está a cargo da Comissão de Avaliação do Ensino Superior, criada em abril. De acordo com Buarque, a intenção é trabalhar a aprovação de um novo modelo de Provão já para o próximo ano. “Nós precisamos avaliar toda a instituição, e nisso o Provão é insuficiente”, afirmou.

No início de maio, o Ministério da Educação (MEC) divulgou que tem a intenção de mudar a maneira de divulgar as notas do Provão neste ano. A proposta é de apresentar as notas de 0 a 100, ao invés de conceitos, de A a E.

Desde a criação do Provão, em 1996, os cursos são classificados com conceitos. Este sistema permite que a mesma nota signifique resultados diferentes. Em 2002, por exemplo, no curso de medicina, o conceito A foi atribuído a faculdades com nota média acima de 54, numa escala de 0 a 100. Em engenharia civil, A significou média acima de 33,7.

A diferença ocorre, neste caso, porque a média geral dos alunos de medicina foi maior que a dos alunos de engenharia civil.

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