Saber quem foram as pessoas que dão nomes às ruas ou o que significam as datas que vemos nas plaquinhas azuis e brancas das esquinas é aprender história.
De acordo com Márcia Regina Nava Sobreira, professora do curso de História e do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade do Sagrado Coração (USC), as denominações de ruas podem ajudar a educar.
“Através de um nome, você puxa o resto da história da cidade. Para isso, as pessoas teriam que se informar e estudar o contexto histórico da época e depois transmitir aos alunos”, diz a professora, que é assessora de arquivos do Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica de Bauru e Região.
Márcia é autora do livro “Viagem através das ruas de Bauru”, em que explica o significado de 280 nomes de ruas da cidade.
“O objetivo maior (do livro) é facilitar o trabalho das professoras no ensino da história de Bauru. Não apenas história das pessoas isoladamente, mas acontecimentos históricos dos quais elas participaram. Através dos estudos das ruas, podemos descobrir fatos importantes”, enfatiza.
Segundo a professora, muita gente não conhece os personagens que estão presentes em seu cotidiano através das vias públicas.
“Por exemplo, algumas pessoas falam que o Azarias Leite foi prefeito de Bauru. Mas o Azarias Leite nunca foi prefeito. Ele foi presidente da Câmara”, explica Márcia.
Na opinião dela, as pessoas gostam de ter informações com facilidade e de forma didática. Apesar dos órgãos voltados à preservação da história em Bauru, há desconhecimento.
“Nós passamos pelas ruas de Bauru e pensamos ‘quem será que foi essa pessoa?’ Mas fica por isso mesmo. Não se valoriza aquilo que se desconhece”, avalia.
A pesquisadora afirma que a história não é algo distante da vida das pessoas. As personalidades que parecem esquecidas podem tornar-se mais “familiares”. “No dia-a-dia nós passamos por elas. É só uma questão de viajar um pouco, não só no tempo, mas também no espaço - o espaço geográfico de hoje”, reforça.
Márcia espera que, a partir do momento em que as pessoas tiverem tais informações, a história possa ser transmitida de geração a geração através da tradição oral. “Ao transitarem pelas ruas, os pais podem passar para os filhos, os professores para os alunos, amigos para amigos e assim por diante. Vai acabar acontecendo”, acredita.
Povo
Na opinião de Márcia, o cidadão comum também merece ser lembrado em nomes de ruas. Antigamente, valorizava-se, principalmente, grandes personagens da história.
“O povo também faz história. Esse pessoal que veio a Bauru e começou a construir sua vida por aqui também deu sua contribuição para o crescimento da cidade. Essas pessoas também precisam ser lembradas. Não somente os grandes nomes”, salienta.
“Tem muita gente que pode ser destacada e que ainda não foi”, acrescenta.
A professora conta que, até a década de 30, mudava-se muito os nomes de ruas devido ao momento histórico. Hoje, isso já não acontece mais.
As repetições de nomes em diversas cidades mostra também o hábito de aproximar-se das figuras nacionais. Como exemplos, temos Rui Barbosa, Duque de Caxias, Dom Pedro, João Pessoa, Washington Luís e muitos outros.
“São nomes de expressão nacional, presidentes, poetas etc. Era até uma honra ter na cidade o nome do Duque de Caxias. Era chique”, diz Márcia.
Nos últimos 40 anos, segundo a autora, nomes de pessoas ligadas à cidade (e não apenas figuras reconhecidas nacionalmente) começaram a ganhar ênfase. As indicações muitas vezes são baseadas em pedidos de famílias da cidade. Ainda assim, o pedido tem que ser justificado com a informação da contribuição que a pessoa deu ao município.