Economia & Negócios

Economia & Negócios

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

• Os juros

Muito tem se falado sobre juros, sobre a manutenção do índice da taxa Selic (taxa básica de juros da economia brasileira) e da postura do governo federal diante de tudo isso. Muito se fala, mas nem todos entendem. Portanto, alguns esclarecimentos colhidos com especialistas são importantes. Basicamente, o cenário é o seguinte: na última reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), o Bando Central (BC) manteve a Selic em 26,5% - uma das maiores taxas do mundo. O compulsório sobre os depósitos à vista está em 68%.

• Inflação

Nesta última situação, essa porcentagem significa, na prática, que a cada R$ 100,00, R$ 68,00 ficam retidos pela autoridade monetária. As duas medidas citadas têm como objetivo principal tirar dinheiro da economia e conter a inflação. Paralelamente a tudo isso, o governo anunciou que pretende usar os bancos oficiais (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil) para oferecer crédito mais barato e que condena o spread bancário (diferença entre as taxas que o banco usa para captar e emprestar dinheiro aos clientes).

• Crédito

Muitos têm se perguntado a razão de se aumentar a oferta de crédito neste momento - porque isso obriga os bancos públicos a baixar suas margens de lucro -, já que o governo está tão empenhado em tirar dinheiro da economia para conter a inflação. Isso porque oferecer crédito é uma forma de colocar dinheiro na economia. Mas, dizem os especialistas, o governo até pode fazer isso agora, usando os bancos públicos par aumentar a concorrência e a oferta de crédito. Contudo, isso deve ser feito de forma gradual, sem descuidar da inflação.

• Índices altos

Além disso, o governo deve estar preparado para tomar tomas as medidas necessárias para oferecer crédito mais barato “na praça”. Isso deve estar totalmente definido para quando chegar a hora de injetar dinheiro na indústria, no comércio e no setor da prestação de serviços. Dados de um levantamento feito pelo Banco Central mostram que os juros são altos para as empresas que buscam crédito, oscilando de 42% a 72%. Para pessoas físicas, o susto é bem maior: 178% ao ano no cheque especial e 102% no crédito pessoal, cada vez mais utilizado pelos consumidores.

• Spread

Por outro lado, o spread bancário tem prejudicado demais a situação de pessoas físicas que buscam crédito, seja para pagar dívidas, para necessidades urgentes ou para realizar sonhos. O spread médio fica em torno de 60% para pessoa física, enquanto que para pessoa jurídica oscila na casa dos 34%. A saber: o spread bancário é formado por cálculos como o risco de inadimplência, taxas de administração, impostos diretos e indiretos e pelo lucro do banco.

• Inadimplência

O item risco de inadimplência já chegou a representar 24% da formação do spread bancário, em 1999. Atualmente responde por 17% - mas já teve um peso menor no bolo total no ano 2000, quando era responsável por um índice de 14%. As taxas de administração também caíram, reduzindo seu peso de 22% para 14% na formação do spread. Contudo, a carga tributária não seguiu nenhuma “tendência” de queda e subiu de 17% para 29%. O índice do lucro dos bancos é outro que assusta: passou de 29% no início de 1999 para 40% no final do ano passado.

• Alterações

Voltando à colocação inicial, projetar uma queda no custo do crédito depende da redução de todos os componentes citados acima. Ou seja, infelizmente, não basta reduzir apenas os lucros dos bancos, como apontam - com razão - os fervorosos críticos do sistema financeiro. Segundo analistas de mercado, as alterações mais urgentes e principais para que os resultados esperados comecem a aparecer são a redução do compulsório e da taxa Selic. Isso porque a diminuição do compulsório fará com que o dinheiro seja devolvido aos bancos para que possam injetá-lo na economia.

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