Botucatu - O ambulatório da disciplina de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp está obtendo resultados favoráveis no tratamento do pé torto congênito com o emprego do método não cirúrgico desenvolvido pelo médico norte-americano Ignácio Ponseti.
Nos últimos anos, 15 crianças já foram submetidas ao chamado Método de Ponseti, que é baseado na aplicação seqüencial de gessos, na tenotomia (seção) do tendão de Aquiles e no uso de órteses noturnas.
Esse tipo de tratamento evita um procedimento cirúrgico agressivo e custoso, tanto financeira como emocionalmente para as crianças e suas famílias. Isso porque o sistema convencional de correção envolve cirurgia extensa e que deve ser realizada entre os seis e os 12 meses de vida do paciente.
O pé torto congênito é uma das mais comuns deformidades congênitas conhecidas, afetando entre uma e três crianças em cada grupo de mil e, quando não tratado adequadamente, resulta em uma deformidade estigmatizante.
Os resultados obtidos pelas equipes de Ortopedia e Traumatologia da FMB/Unesp foram avaliados, recentemente, por um grupo de especialistas do exterior e que participou de um simpósio, realizado em Botucatu e destinado a difundir, no Brasil, a aplicação do Método de Ponseti.
Fizeram parte do grupo o médico José Morcuende, da Universidade de Iowa (USA) que, há anos, trabalha com Ponseti; Shafique Pirani, da Universidade de British Columbia (Canadá) e que tem desenvolvido trabalhos de treinamento de médicos para aplicação do método em países africanos; e Dália Sepúlveda, da Universidade do Chile.