A administração municipal tentou duas estratégias para se safar das denúncias. Na primeira, o Palácio das Cerejeiras pareceu ignorar (ou não acreditou) a denúncia de compra de carne, deixando de indicar um membro sequer para integrar a Comissão de Inquérito. A CEI foi formada e logo em seguida abriu-se um leque de denúncias em relação a três processos.
Já a oposição escolheu apenas três contratos para apurar. “Nós avaliamos que as denúncias eram graves e que a situação perdurava na administração por vários anos e sobre vários tipos de compras. Mas preferimos nos fixar em três contratos onde as evidências eram mais fortes”, citou o então presidente da CEI da Carne, vereador João Parreira (PSDB).
O tiro político, até este momento, foi certeiro e para alvo definido. Com isso, o prefeito tentou a segunda estratégia: secretários municipais se revezaram em depoimentos à comissão e em entrevistas à imprensa para afirmar que Nilson Costa não sabia das ocorrências.
Mas os membros da CEI perceberam esta intenção do Executivo. Isso ficou visível no relatório final, que trouxe duas vertentes em sua denúncia. De um lado, Nilson está sendo convocado a tentar convencer a Câmara de que não sabia de nada. Neste caso terá seu mandato julgado por não observar a legislação, por falta de vigilância administrativa.
De outro, o prefeito ainda é denunciado por saber de tudo e nada ter feito. Neste caso, sua opção seria passar a defender que todos os procedimentos foram regulares para não ser cassado por omissão, negligência e improbidade administrativa.
Ou seja, o relatório final da CEI da Carne não traz somente denúncias contra o prefeito, mas procura fechar o cerco em relação às duas possíveis alegações de sua futura defesa. O texto aprovado ontem em plenário é perspicaz nesse ponto. “Demos o tiro certeiro, sem abrir o leque das denúncias”, comentou o relator da comissão, vereador Clemente em algumas reuniões.
A CEI, conduzida por João Parreira (autor da denúncia na tribuna da Câmara), deixou esse aspecto claro. Mas Nilson pode ter cometido outro erro comum em seu governo até aqui: não ouvir o que os outros dizem.
Agora, ele precisará de 11 votos na próxima segunda-feira para não ver seu mandato submetido a julgamento político similar ao processo que o levou ao cargo de prefeito em 27 de agosto de 1998, quando Antonio Izzo Filho perdeu o mandato.