Política

Tensão antecede votação no plenário

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O clima tenso dominou a sessão legislativa de ontem da Câmara Municipal de Bauru, que discutiu e votou o relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Carne. Com os ânimos acirrados dentro e fora do plenário, a reunião foi pautada por acusações entre as bancadas da situação e da oposição.

O desentendimento entre os vereadores José Clemente Rezende (PSB) - relator da CEI da Carne - e José Zito (PPS) mostrou o grau de nervosismo que dominou a sessão do começo ao fim.

O primeiro vereador a discursar da tribuna livre, João Parreira (PSB) - presidente da CEI da Carne - deu o tom de como se procederia a discussão durante a reunião. “Esse é um assunto criminal. Ele não será só apurado na esfera cível (da Justiça)”, comentou.

O tucano avaliou que se tentou “criar uma nuvem de proteção” em torno do prefeito Nilson Costa (PTB) com a intenção de salvá-lo da instalação de uma Comissão Processante (CP). Para ele, a CEI - da qual foi presidente - deveria ter pedido a quebra do sigilo bancário de vários agentes políticos envolvidos nas denúncias de irregularidades.

O parlamentar criticou, ainda, o posicionamento dos setores empresarial e comercial da cidade, que demonstraram ser contrários à instalação de uma CP para o prefeito por entenderem que há risco na governabilidade do município. “Essa história de dar um voto de confiança não existe. O voto de confiança não será uma instituição criada na cidade de Bauru”, avisou.

A falta de articulação política do prefeito também mereceu destaque nos discursos. O vereador José Carlos Batata (PT) lembrou da posse do então vice-prefeito no comando do município, logo após a cassação de Antonio Izzo Filho (sem partido).

“A Câmara se posicionou claramente naquela época. Indicou a formação de um governo de coalizão para aglutinar partidos e entidades representativas da comunidade. Mas o prefeito nunca aceitou as indicações e as interferências. Ele deu as costas à Câmara”, criticou.

O discurso mais contundente da sessão foi protagonizado por Clemente Rezende, relator da CEI. Ele citou uma a uma todas as denúncias que pesam contra a gestão Nilson Costa. “Esse governo é uma pouca vergonha. É preciso mostrar a sua podridão. Que governo é esse que paga antecipado quase R$ 400 mil sem receber a mercadoria?”, questionou.

O parlamentar rememorou denúncias de irregularidades antigas. “Quem não se lembra do caso marmitex, do poço do Roosevelt, da pensionista fantasma, do asfalto superfaturado, da federalização inconseqüente da dívida.”

Coação

A desarticulação política da administração municipal ficou evidenciada no número de vereadores que usaram a tribuna para defender o prefeito Nilson Costa. Apenas Edmundo Albuquerque (PPS) e Majô Jandreice (PC do B) se pronunciaram a favor do governo.

Albuquerque rebateu o discurso de Clemente buscando fatos do passado político do parlamentar. “Quando ele fala que havia irregularidades já na CEI do Patinho, deveria ter denunciado, afinal esse vereador apoiou a candidatura Nilson Costa e foi eleito pelo mesmo partido a qual pertence o prefeito”, lembrou.

Embora não tenha se dirigido de forma direta a Clemente, Albuquerque afirmou que “é vergonhoso coagir vereadores”, dando a entender que alguns parlamentares teriam sido ameaçados com novas denúncias de envolvimento em irregularidades na Câmara.

O vereador do PPS também acusou o relator da CEI da Carne de ter usado a função para suas pretensões políticas nas eleições municipais do ano que vem. “É preciso lembrar que o Clemente também mudou de partido no último dia permitido para filiação em 2001”, acrescentou.

Majô emendou o tom do discurso de Albuquerque contra Clemente. “Tenho tranqüilidade para falar: nem eu e nem meu partido apoiamos a candidatura Nilson Costa”, cutucou.

Na avaliação da vereadora, alguns colegas “viraram patrulheiros” da administração. “Tudo que se vê neste momento, na Câmara, é para tirar proveito político. É uma obsessiva ação fiscalizadora: tudo que vem do governo municipal é ruim, é reprovante. Essa onda moralizadora me parece mais um acerto de contas pessoal. Só há dois caminhos: absolvição ou pena de morte.”

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