Estatística levantada está informando que, como já aconteceu tempos atrás, acha-se novamente o País carente de profissionais de enfermagem, pois o mercado se encontra defasado, dificultando, conseqüentemente, o trabalho de hospitais, dispensários, consultórios e afins. E o está, igualmente, motivado por uma lei exigindo que as indústrias com mais de 100 operários mantenham em seus quadros um médico e um enfermeiro. Por que a defasagem ou exiguidade de trabalhadores do gênero? Seja por falta de recursos monetários para que mais rapazes e moças estudem a matéria nas escolas específicas, nais quais o curso, com duração de cinco anos, aponta habilitação de enfermagem médico-cirúrgica, enfermagem obstétrica e enfermagem de saúde pública? De um lado sim, se atentar-se para o fato de que o aprendizado dessa e demais especialidades está com as mensalidades na altura dos “olhos da cara” e se coloca, portanto, distante das possibilidades econômicas de quantos nele botam os “olhos das faces”. Mas há, ao mesmo tempo, outra motivação determinante, como seja a carência de devoção pessoal, absoluta, para a habilitação. Conhecem-se, por exemplo, muitos e muitas que partem para a enfermagem por afeição aos doentes em geral, hospitalizados ou nos lares, como que de um arraigado amor ao próximo unicamente, graças ao que muitas vezes se desinteressam pelo tamanho dos salários que possam ter e emprestam suas melhores energias para trabalhar ou aplicar suas habilidades ao lado de médicos, auxiliando-o nas suas tarefas cirúrgicas, cuidando de pacientes na aplicação de compressas, controle de pulsos e de respiração, tirando raios X, aplicando injeções, soros e inalações, e, enfim, acompanhando a evolução de pacientes. Realizam, dessa forma, a vocação para acudir ao próximo enfermo, a qualquer hora, dia e noite. Todavia, muitos outros, grande maioria, não têm semelhante predisposição para o tipo de trabalho, daí a citada carência. Trata-se, então, perceptivelmente, de uma profissão especial, que se mistura com compaixão, tendo conseqüentemente especial valor humano-social que merece ser profundamente reconhecida pela sociedade, a qual, acreditando na competência, carinho e dedicação dos profissionais, de ambos os sexos, tem razões para confiar-lhes seus doentes, de todas as idades, sem preocupações excepcionalmente raras. Então, concorda-se com que teria de haver mais gente se dispondo a engrossar o setor para que menos gente sentisse a ausência dela. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)
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