Barra Bonita - Uma reunião entre os representantes do sindicato dos cortadores de cana e da Usina da Barra decide hoje, a partir das 9h, a continuidade da greve iniciada na manhã de ontem.
Cerca de 500 trabalhadores foram até a sede da empresa, em Barra Bonita (68 quilômetros a Sudeste de Bauru), para reivindicar melhores salários, o fornecimento de equipamentos de proteção individual, o fim da terceirização ilegal do serviço de corte de cana e da obrigatoriedade de trabalhar cinco dias e folgar um, independente do dia da semana.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mineiros do Tietê, Eduardo Porfírio, acredita que hoje a paralisação deve atingir cerca de 1.000 trabalhadores. Segundo ele, todos irão para a frente de trabalho, mas ficarão parados até uma definição entre o sindicato e a empresa.
Todos os trabalhadores são de empresas terceirizadas que prestam serviço para a Usina da Barra, nos canaviais da região.
De acordo com Porfírio, a empresa ofereceu 20% de reajuste salarial, mas o sindicato está reivindicando 40%.
Segundo o sindicalista, o valor da cana cortada está muito baixo. Por essa razão, os trabalhadores não estariam atingindo nem o piso da categoria, que é de R$ 335,00. Os vencimentos dos canavieiros são atrelados à produção. Por isso, quanto mais cana é cortada maior é o salário dos trabalhadores.
Outra questão que está sendo levada em conta pelo sindicato é o fornecimento de equipamentos de proteção individual. Segundo Porfírio, os trabalhadores receberam os equipamentos apenas no início da safra, em abril.
O correto, segundo ele, é fornecer o material de proteção pelo menos duas vezes ao mês. Entre os equipamentos obrigatórios estão as luvas, o facão, a bota e outros.
Outras supostas irregularidades cometidas pelas empresas canavieiras, em geral, segundo o sindicato, é a falta de registro em carteira e a não aplicação do Plano de Assistência Social (PAS), instituído por lei, em 1965.
Porfírio não soube dizer qual a porcentagem de trabalhadores que estariam exercendo a profissão sem registro.
Quanto ao PAS, ele informou que é um plano de assistência médica custeado pelas empresas canavieiras com uma porcentagem do dinheiro arrecadado com a venda do açúcar e do álcool.
De acordo com o sindicalista, grande parte das empresas e dos produtores de cana estão descumprindo a lei e não oferece nenhum tipo de assistência aos trabalhadores. Segundo a assessoria de imprensa da Federação dos Empregados Rurais do Setor Canavieiro (Fercana), a Usina da Barra seria uma das poucas exceções, senão a única a oferecer o PAS dentro do Estado de São Paulo.
Audiência pública
No próximo dia 2 de julho, o Teatro Municipal de Barra Bonita será palco de uma audiência pública para discutir as relações de trabalho nos setores canavieiros e sucroalcooleiro.
Na ocasião, será apresentado o resultado das fiscalizações feitas nas usinas e empresas produtoras de cana pelo Ministério do Trabalho.