O tratamento de esgoto está diretamente ligado à oferta de água potável, afirma o ambientalista e vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) que participou de um encontro de líderes ambientais de 80 países realizado no México entre 30 de abril e 15 de maio. Convidado para o evento por integrar o Instituto Ambiental Vidágua, ele conta que o mundo todo está preocupado com a escassez de água e que a situação é pior onde não se trata esgoto.
No México, rios totalmente poluídos, que recebem esgoto de cidades, estão sendo usados para irrigar lavouras porque a água limpa está cada vez mais escassa e outros estão secando, relata Rodrigo. Ele frisa que no Brasil isso não está longe de ocorrer. “Bauru, por exemplo, vem enfrentando crises de abastecimento de água no verão há vários anos seguidos e o rio Tietê, que poderia ser uma opção de fonte superficial, não é usado por causa da poluição”, diz.
Cerca de 40% do esgoto produzido na cidade de São Paulo e que era jogado no Tietê está sendo tratado, mas ainda é muito pouco diante da quantidade de material despejado no rio. “Hoje, temos uma população de 6,2 bilhões de pessoas no mundo e já falta água. Pela estimativa da ONU (Organizações das Nações Unidas), em 2025 serão nove bilhões de pessoas e daqui cinco ou dez anos 138 países estarão com escassez de água”, afirma Rodrigo.
O encontro realizado no México, cujo tema foi água, reuniu profissionais e membros de ONGs de várias áreas ligadas ao meio ambiente, como arquitetura e meteorologia, diz Rodrigo. “Foi uma discussão global da água. Atualmente, temos 2,4 bilhões de pessoas no mundo sem saneamento básico e 50% dessa população não tem água potável. Por ano, 250 milhões de pessoas ficam doentes por ter consumido água contaminada e cinco milhões delas morrem, segundo dados da ONU”, relata.
No Brasil, de acordo com Rodrigo, 72% das crianças que morrem antes de completar 1 ano são vítimas de doenças transmitidas pela água. “Isso significa 9.200 crianças por ano”, ressalta. Para ele, a associação de escassez de água com contaminação das fontes resultará em migrações de populações dentro de seus países e para fora.
Para Rodrigo, a situação do Brasil é complicada, apesar do País deter 17% de toda a água doce do mundo. “Nós dependemos muito das fontes de água superficiais, que estão secando, e muitas cidades não tratam o esgoto. O resultado são rios, que poderiam ser usados para o abastecimento, poluídos. A nossa maior reserva de água doce fica na Amazônia, muito distante das grandes cidades”, diz.
Após as discussões sobre a oferta de água potável no mundo todo, os participantes do encontro redigiram um relatório que será enviado a todos os países, de acordo com o ambientalista. Um dos principais itens do relatório é que o setor hídrico não deve ser privatizado.
A proposta é que abastecimento de água e o tratamento de esgoto sejam administrados pelo poder público, com a participação da sociedade civil, segundo Rodrigo. Aliás, a participação da sociedade nas ações dos recursos hídricos foi considerada de suma importância pelos participantes do encontro.
Uma das formas de garantir a participação da população nessas ações, sugerida no relatório, é através da criação de conselhos de usuários de água. “No Brasil, nos últimos dez anos, temos tido uma forte participação da sociedade civil na gestão dos recursos hídricos através dos comitês das bacias. Bauru criou o conselho de usuários de água, mas é um órgão consultivo. O ideal seria que fosse deliberativo”, opina.