São Carlos - Criar próteses, leves, baratas e que não sejam rejeitadas pelo organismo. E tudo isso tendo como base um óleo vegetal extraído da mamona. Esse é o resultado de quase duas décadas de pesquisas coordenadas pelo professor Gilberto Chierice, do Instituto de Química do câmpus da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos (150 quilômetros a Nordeste de Bauru).
A equipe coordenada por Chierice desenvolveu um polímero vegetal extremamente maleável e totalmente biocompatível, que possibilita que o corpo humano substitua gradativamente essa massa vegetal por células ósseas.
A descoberta abre a possibilidade de um tratamento melhor e mais barato a milhares de pessoas que todos os anos sofrem com acidentes domésticos ou de trabalho, com armas de fogo e doenças, por exemplo.
“Sua grande vantagem é não causar reações inflamatórias nem rejeições por parte do organismo”, relata o professor Chierice, cuja pesquisa começou em 1984, quando estudava, para a antiga Telebrás, novas substâncias que pudessem revestir fios e cabos telefônicos.
Isso acontece porque o material é biocompatível e também ostiointegrável, ou seja, ele incentiva a produção de células ósseas naturais, que com o tempo tomam o lugar da prótese vegetal.
Além do mais, a prótese de mamona é muito mais leve do que as atuais, feitas de ligas metálicas como titânio, níquel e cromo.
Para se ter uma idéia, uma prótese feita de titânio atualmente chega a pesar 400 gramas, enquanto uma feita a partir da massa vegetal chega no máximo a 90 gramas. Ela também não interfere em exames como uma tomografia; o titânio, por sua vez, distorce os resultados desses exames.
A massa vegetal já foi aprovada pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão do governo americano que regula a liberação de novos alimentos e drogas e que é referência mundial no assunto. A liberação do seu certificado é prevista para este mês.
O material também permite que qualquer parte do corpo, como ossos, dedos, narizes e orelhas sejam reproduzidos. Essa parte da pesquisa vem sendo desenvolvida pelo cirurgião maxilo-facial Edelto dos Santos Antunes.