O número de endoscopias (exame para detectar doenças do estômago) realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Bauru sofreu uma queda de 60% desde à última semana. A causa é a divulgação de que mais de 15 pacientes, em todo o País, que usaram o contraste radiológico Celobar para fazer exames do aparelho digestivo morreram.
O médico Paulo Carlotto, do quadro clínico do Hospital Manoel de Abreu, explica que a endoscopia não utiliza o Celobar, cuja venda e uso estão proibidos. “As pessoas estão achando que também usamos o Celobar e desmarcam os exames. A nossa preocupação é com a saúde do paciente”, frisa.
Ele explica que na endoscopia não é usado o carbonato de bário, principal componente do Celobar. “A endoscopia não é um exame radiológico. Nele, é usado a fibra ótica ou a videoendoscopia, o tradutor de imagens, e pode ser feito com toda segurança”, frisa.
De acordo com o médico, em Bauru não foi registrado nenhum problema envolvendo o Celobar, mesmo na área radiológica. “Na Associação Hospitalar de Bauru (AHB) não se usa o Celobar. É usado um contraste importado que nunca deu problema” , garante.
Carlotto frisa que enquanto muitos pacientes estão desmarcando endoscopia, há uma lista de espera de mais de 15 dias. “As pessoas que marcaram o exame não aparecem no dia e horário agendados enquanto outros têm que esperar até 20 dias para conseguir passar pela endoscopia”, ressalta.
A média de endoscopias realizadas no Hospital Manoel de Abreu é de 25 por dia, porém nas últimas duas semanas, após a divulgação do caso Celobar, este número caiu para dez. “Algumas pessoas desmarcam, outras simplesmente não aparecem e nós deixamos de atender aqueles que aguardam na lista de espera”, alerta.
Já no Hospital de Base, o número de endoscopias realizadas não sofreu alteração, segundo Carlotto. “Lá, fazem esse exame as pessoas que já estão internadas enquanto aqui atendemos a população de Bauru e região”, explica.
Clínicas particulares
Nas clínicas particulares que fazem endoscopia consultadas pela reportagem o número de agendamentos não caiu e o comparecimento dos pacientes tem sido normal. A informação é que em todas elas o uso do Celobar foi descartado.
De acordo com as clínicas, os pacientes chegam a perguntar sobre o uso do contraste, mas após explicação de que o produto usado é outro, não desistem do exame.
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Suspenso
A agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da venda do Celobar e de todos os medicamentos fabricados e importados pelo laboratório Enila Indústria e Comércio de Produtos Químicos e Farmacêuticos, do Rio de Janeiro, na semana passada.
A suspensão se deve à liberação, por parte do laboratório, de produto com alto índice de contaminação, como foi o caso do Celobar, um contraste radiológico. O medicamento é apontado como causador da morte de mais de 15 pessoas em todo o País.