Articulistas

Os efeitos colaterais


| Tempo de leitura: 2 min

Dizem os especialistas que todo remédio, dentro de uma certa margem tolerável, tem efeitos colaterais. No caso médico, é só a ler a bula. O usuário analisa as informações ou procura especialistas e decide se o medicamento lhe trará mais benefícios do que malefícios. Se os efeitos colaterais forem ruins, fará uso do medicamento se não houver alternativa (suportando os efeitos).

Na economia, que é uma ciência social, nem sempre os efeitos colaterais são tão claros. Há um suporte teórico que permite indicar, dentro de um certo quadro, qual será a conseqüência da decisão de política econômica. Políticas fiscal e monetária apertadas são sinônimos de engessamento da atividade econômica e, conseqüente, elevação do desemprego e piora dos indicadores sociais. A questão que se coloca é: será que o usuário, nesse caso o grosso da população, sabe disso? As pessoas estariam cientes do preço a pagar para garantir a estabilidade de preços (finalidade da política econômica atual)? Leram a “bula”? Os especialistas foram consultados ou esclareceram adequadamente o assunto?

A resposta todos sabem.

Na prática, está sendo demonstrado que há um esgotamento da política econômica que é norteada por indicadores de curto prazo, ligados a economia monetária, deixando para um plano secundário a economia real, aquela que gera bens e serviços (e riqueza) e, acima de tudo, afeta a vida da população. Enquanto não tivermos uma vertente voltada para a apuração do tamanho do custo social que são impostas por políticas conservadoras, não poderemos contemplar melhoria do bem-estar social.

Tente explicar juros altos como remédio para um desempregado. Os remédios são conhecidos, mas falta muito para conscientizar a população dos efeitos colaterais, ou melhor, falta muita capacidade gerencial para evitar os efeitos colaterais. Devemos ficar de olho na postura “social” do governo. (O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, mestre em Comunicação vice-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru e delegado do Corecon)

Comentários

Comentários