Regional

Cortadores de cana suspendem greve

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Barra Bonita - Pelo menos por enquanto, está suspensa a greve dos cortadores de cana que prestam serviço à Usina da Barra ou às empresas terceirizadas da região. Depois de três dias de muita negociação, a usina aceitou algumas das reivindicações dos trabalhadores, mas o acordo não foi bem recebido pelos empregadores de mão-de-obra - empresas terceirizadas.

Uma nova reunião deve ser realizada na semana que vem entre os representantes dos sindicatos dos Trabalhadores Rurais da região e as empresas. O dia e o local do encontro ainda não estão definidos.

Até lá, todos os cortadores de cana vão continuar trabalhando normalmente. Se não houver acordo com os empregadores terceirizados, a Federação dos Empregados Rurais do Setor Canavieiro (Fercana) promete nova paralisação.

De acordo com o presidente do sindicato da categoria em Mineiros do Tietê (65 quilômetros a Sudeste de Bauru), Eduardo Porfírio, a usina, que pertence ao grupo Cosan, teria concordado aumentar o valor da tonelada de cana cortada. Dos atuais R$ 1,77, iria para R$ 2,13, para as canas de primeiro corte (com 18 meses). Já a tonelada de cana de segundo corte ou mais passaria de R$ 1,68 para R$ 2,02.

Segundo Porfírio, a cana de segundo corte é mais fácil de cortar. Por isso, rende mais e é mais barata.

Pelo acordo, o piso dos canavieiros seria reajustado em 20% e passaria a valer R$ 334,00. Os equipamentos de trabalho e de segurança, como facão, luvas, botas e limas, seriam fornecidos com mais freqüência. Hoje, segundo o sindicato, o material é fornecido apenas uma vez - no início da safra.

De acordo com o presidente do sindicato de Mineiros, a usina aceitou ainda aumentar o valor da cesta básica de R$ 50,00 para R$ 100,00. Além disso, dará um auxílio de 50% sobre o valor dos medicamentos.

De acordo com Porfírio, a parte financeira do acordo foi aceita tanto pela usina como pelas empresas terceirizadas. O entrave, segundo ele, está no fornecimento da cesta básica, dos equipamentos de segurança e na aceitação de atestados médicos.

Apesar de a usina da Barra ter concordado com tudo isso, Porfírio informou que poucos seriam os funcionários favorecidos com a medida. Segundo ele, grande parte dos cortadores de cana é contratada por empresas terceirizadas.

Por isso, na opinião dele, é fundamental que elas também aceitem estender para seus funcionários o acordo feito com a usina.

Segundo Porfírio, hoje, nenhum trabalhador terceirizado recebe cesta básica. De acordo com o sindicalista, cerca de 5 mil cortadores de cana da região devem ser beneficiados, caso o acordo seja confirmado pelas empresas terceirizadas.

Cerca de 500 desses trabalhadores foram protestar em frente a Usina da Barra, em Barra Bonita (68 quilômetros a Sudeste de Bauru), na segunda-feira passada, contra o baixo preço da tonelada de cana cortada, entre outras coisas. Eles permaneceram dois dias parados e voltaram ao trabalho. A possibilidade de nova greve não foi descartada.

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