Falam muito que o rio dessa nossa cidade é o Batalha. Não concordo, pois o Batalha passa ao largo da cidade, nem corta seu Centro. Pode (e o faz), é abastecer nosso interior com o precioso líquido, incolor e inodoro (nem sempre), indispensável para nossa sobrevivência. Porém, é indiferente a muitos, pois está pouco visível. Tem muita gente por aqui que nem sabe por onde passa o Batalha. Já o rio Bauru corta a cidade de fora a fora, faz um rasgo dividindo-a em duas e se não fosse os tais coliformes fecais, teria um charme todo especial.
Defendo a idéia de que o rio de Bauru é o que leva o nome dessa cidade e, assim como ela, não vive seus melhores dias. Cidade esburacada e enrolada com más administrações e ele, o rio, com sua aparência de dar dó e um cheiro dos mais repugnantes. Dizem, ambos com problemas insolúveis. Não acho, pois acredito que ambos têm solução. A cidade, com gente que a administre de verdade, olhando também para seu rio, dando a importância que ele é merecedor, entendendo-o e não deixando que definhe ainda mais.
Hoje, ele está lá meio caidão, mal cheiroso, um dejeto que circula no meio da cidade, provocando muita rejeição.
Ele, na minha infância (toda ribeirinha) já era escoadouro de merda, mas suas margens ainda tinham um certo charme. Hoje, não passam de pistas automotivas, numa parte e de população, em outra. Todos sujeitos aos percalços, em dias de chuvas dadivosas. O fato é que algo precisa ser feito para que esse rio fique belo, formoso, sendo motivo de orgulho para toda uma população. Sugestões existem, talvez nem tão difíceis assim, bastando um pouco de sensibilidade administrativa e trabalho coletivo de alguns abnegados.
Ando ouvindo algo sobre o surgimento de um grupo de pessoas, montando uma ONG ou algo parecido, para discutir de forma séria a situação do rio Bauru. E aí, para quando é a coisa? Quem são as pessoas que estão nessa? Quando estão marcadas as reuniões? E o local? Quais os planos?
Me coloquem nessa, pois vivo às suas margens, fui acompanhando suas transformações e gosto muito dele. Hoje, por aqui, só ouço falar do rio no período das enchentes. Quero discutir esse assunto a todo momento, pois passo sobre ele diariamente, sinto seu aroma durante boa parte do dia e meus dejetos vão parar nele. Num passado não tão remoto, já adentrei muito em suas águas, em busca de bolas perdidas, já colhi tomates e goiabas em suas margens e hoje só está me restando olhar para suas águas escuras e fedorentas, resignando-me pelo seu estado atual de abandono e descaso. (Henrique Perazzi de Aquino - RG 9.710.205-2)