Quando começa “Palavras de Mulher” o palco do Teatro Municipal é tomado por mais do uma simples peça. O espetáculo - que estreou nacionalmente ontem e tem mais duas apresentações, uma hoje e outra amanhã, ambas às 21h - é resultado da dedicação extrema de cada um dos envolvidos que, aos poucos, foram caindo de amores pelo projeto que saiu da cabeça da atriz Valeska Lopes no final dos anos 90.
Cantora de ópera, a brasiliense Lopes se encantou com a reação do público ao apresentar o espetáculo “Os Saltimbancos”, de Chico Buarque de Hollanda. “Até então eu cantava músicas em italiano, alemão e o público não entendia. Quando fiz ‘Os Saltimbancos’ eu adorei porque o público me entendeu e ai resolvi montar um espetáculo que unisse teatro e música em português”, conta.
Não demorou muito até que a escolha do repertório recaísse sobre a vastíssima obra do mesmo Chico Buarque. De lá, Lopes pinçou uma vertente: os trabalhos do cantor e compositor que falam do universo feminino, que são inúmeros. Estava pronto o embrião de “Palavras de Mulher”, título que se baseia em uma das canções de Chico (“Palavra de Mulher”) e que expressa o sentido da peça, que é falar de todas as faces femininas que recheiam a obra do compositor: a mãe, a amante, a prostituta, a retirante, a desiludida, a amada, a traidora e a traída...
O projeto ficou adormecido por um tempo até que, aos poucos, foram se juntando a ele o ator e diretor Fernando Petelinkar, as atrizes Rita Maria, Anna Toledo e Cleide Queiroz - que estréia como figurinista ao invés de subir ao palco - e o pianista Ceres Miranda, que toca as canções interpretadas pelo trio formado por Lopes, Maria e Toledo, entre outros.
Sem nomes famosos - Petelinkar e Queiroz são os mais experientes, com diversos trabalhos no teatro e televisão em suas respectivas áreas - o projeto talvez não decolasse se não fosse pela paixão do grupo pela idéia, pela música de Chico, pela vontade de fazer tudo dar certo. “Chegamos num ponto em que estávamos escolhendo as pessoas pela capacidade delas em se apaixonar pelo projeto, de olhar pra gente e dizer: ‘eu topo’. Cada um foi contribuindo com a sua habilidade”, lembra Maria.
“É muito interessante como as pessoas entraram de cabeça nesse projeto. A gente não tem dinheiro, estamos fazendo no peito”, diz Petelinkar.
O resultado é um espetáculo de, aproximadamente, uma hora de duração com 26 músicas de Chico, entre canções inteiras e vinhetas, que levam o espectador a um carrosel das mais variados sentimentos que permeiam a obra do compositor quando ele fala das mulheres. “Agrupamos as músicas por emoções para no final chegarmos a uma mensagem de esperança”, diz o diretor.
A decisão de realizar a estréia nacional em Bauru veio após um convite de Carlos Batista, diretor do Grupo Ato, de Bauru, amigo de Petelinkar. “As pessoas criam uma falsa impressão de as coisas rolam em São Paulo, mas o mercado é tão saturado que, às vezes, é melhor para a gente que está lá, sair e procurar outros espaços para mostrar nosso trabalho e até viver da nossa arte. Achamos maravilhoso vir para Bauru”, declara Maria.
• Serviço
Espetáculo “Palavras de Mulher”. Hoje, às 21h, no Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves”. Amanhã e domingo, no mesmo horário. Realização: Abapuru Produção Cultural, Grupo Ato e Secretaria Municipal de Cultura. Apoio do Jornal da Cidade e 96FM. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro e num ponto de venda no segundo piso do Bauru Shopping Center. Informações: (14) 235-1312.