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De skate, a caminho do trabalho

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Unir o útil ao agradável. Esse é o espírito que move o jovem bauruense Frederico Breslau ao optar por uma maneira nada convencional para deslocar-se de sua residência, localizada no Jardim Europa, até o lugar onde trabalha, no Centro de Bauru. Ao contrário da maioria esmagadora dos brasileiros que adotam o carro e o ônibus como meios preferidos de transporte, Fred, como é mais conhecido, é fã incondicional do skate.

Do alto de seus 22 anos, deixar o carro da família na garagem não é nenhum negócio de outro mundo para ele. Em suas palavras, é até divertido. “É mais legal e, como vou no pique, não demoro mais que 20 minutos para chegar ao serviço. Como nunca fiz muita questão de automóvel, ir de skate é tão fácil como se estivesse em um veículo”, considera ele.

Entretanto, apesar de nutrir verdadeira paixão pelo skate, Fred só não o utiliza com mais freqüência porque às segundas e quintas têm aulas. Nesses dias, acaba indo de carro ao trabalho. “Ficaria muito corrido se não fosse com ele. Apesar de gostar da liberdade do skate, a praticidade do veículo fala mais alto nesses momentos”, ressalta.

Já no restante da semana, e quando o clima - leia-se ausência de chuva - também ajuda, Fred não pensa duas vezes em descer de skate a avenida Getúlio Vargas, sua via preferida de deslocamento ao emprego.

Mesmo confessando que não se preocupa em utilizar equipamentos de proteção para aventurar-se nas ruas, Fred garante tomar alguns cuidados. O principal deles é, sempre que possível, ir pelas calçadas. “Apesar de nunca ter sido xingado, percebo que os motoristas não gostam muito de ver skatistas nas vias”, afirma ele.

Além disso, tais zelos não o impediram de passar por alguns apuros enquanto ia ao trabalho. O pior deles foi quando quase foi atropelado por um ônibus. “Peguei embalo em uma descida e só consegui parar o skate ao mesmo tempo do coletivo, que quase passou por cima de mim. Por essa razão prefiro andar pela calçada. Tem de ficar esperto”, conta Fred.

E quem pensa que ele reclama dos inúmeros buracos das ruas bauruenses está enganado. “Apesar de ser o que mais embaça, andar neles é até bom, pois dá para a gente ir treinando algumas manobras. E para isso não faltam obstáculos”, ironiza Fred.

Mas tombo feio mesmo ele levou, curiosamente, quando estava apenas divertindo-se perto de sua casa. “Acho que estava a uns 50 km/h descendo uma ladeira quando o skate quebrou. Levei um capote que me deixou marcas até hoje”, lembra o bauruense, exibindo marcas do machucado em um dos braços.

Desencanado

Apesar de ser um fanático pelo skate, a paixão pela atividade começou há apenas quatro anos. “Não era uma coisa que amava desde pequeno. Ela foi surgindo aos poucos. De repente, bateu o tesão de andar e comecei a praticar”, ressalta ele.

À medida que ia acertando as manobras, Fred empolgava-se e, cada vez mais, admirava o skate, mas sem exageros. Ele faz questão de destacar que curte a atividade apenas por puro prazer e não tem intenção de profissionalizar-se. “Faço para me distrair, pois é um esporte legal, rápido e que te propicia extrema liberdade e autonomia”, considera o jovem.

Segundo Fred, ao montar em um skate as possibilidades são ilimitadas. “Se quero ir ao mercado é só colocar no chão e sair andando”, frisa. Preocupação com treino também não passa por sua cabeça. “Não tenho pretensões de ganhar dinheiro nem viver do skate. Quero apenas andar nas ruas e achar um local bacana para brincar com ele”, conclui.

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Perfil

Nome Frederico Breslau

Idade 22 anos

Hobby Andar de skate

Signo Libra

Cor preferida Vermelho

Time do coração

“Historicamente, sou Corinthians. Meu pai falou que eu era e acabei sendo.”

Lugar bonito para passear A avenida Getúlio Vargas

Carro dos sonhos Dodge Viper azul metálico

Quem você nunca deixaria andar no seu skate?

“O George Bush e o Tony Blair.”

E quem você faria questão de deixar?

“O Dalai Lama.”

O que mais lhe irrita no trânsito bauruense?

“Nada, pois quando estou de skate fico relaxado.”

Que nota você daria aos motoristas de Bauru?

“Dois. O povo daqui é muito mal educado. Dar seta em Bauru é luxo e parece ser acessório opcional.”

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