Quantas cabeças existam no grande mundo, quantas serão aquelas comandadas por alguém. Reside aí uma realidade indiscutível por que - pergunta-se - haveria alguém capaz de se colocar livremente à margem do contexto quando se testemunham por aí filhos dirigindo pais, esposas dando ordens a maridos e, simultaneamente, populações compactas submetidas por autoridades religiosas, presidentes, governadores, prefeitos, legisladores e assim por diante? Tudo acontece porque é o pleno e livre “show” da vida que o determina incontestavelmente, não se podendo duvidar então nem um pouquinho do quanto capitaneiam absolutamente mentalidades e deliberações coletivas muitas figuras da mais alta projeção universal, entre elas o Papa João Paulo II, George W. Bush, Fidel Castro, Yasser Arafat, Vladimir Putin e (ainda) Saddam Hussein. Condutores, assim, de milhões e milhões de pessoas de todas as tendências cerebrais e psicológicas, como devem eles serem classificados e obedecidos por tantos de seus arautos? Como chefes ou como líderes? São duas definições bem categóricas e que podem ser aplicadas em sentidos até opostos e contraditórios, pois nem todos os homens têm poder bastante para exercer total e correta liderança ou chefia sobre os semelhantes. Fosse diferente, uns e outros de forma nenhuma teriam oposição social e funcional em suas caminhadas, porquanto contariam sempre com o assentimento ou o beneplácito de todos os comandados em suas decisões, certas ou erradas, contradiças ou não. “Até que ponto, conseqüentemente, podem as populações diferenciar um verdadeiro líder de um verdadeiro chefe?” - inquirem os sociólogos, com as antenas voltadas para o panorama reinante em nações, Estados e municípios, nos quais os mentores, visceralmente autocratas, absorvem seus conceitos e suas ações, festejadas de um lado e contestadas de muitos outros. O novo Presidente brasileiro, por exemplo, eleito por um volume de sufrágios só concedível a líderes e chefes autênticos, como será que vem se sentindo na função de chefe nacional que, em apenas seis meses de gestão começa a ser polemizado inclusive por redutos trabalhistas nos quais militou, desde a mocidade, em distantes regiões do país? Enfim - questiona-se - precisam os líderes ou chefes de governos, igrejas, escolas, empresas e associações classistas e sociais possuírem qualidades excepcionais para poder ser tidos e acolhidos como tais? Admite-se que sim, sem o que não se completam e acabam frustrando aos que confiam em suas diretrizes de guia e executor porquanto as sentenças variam de uma cabeça para outra e colidem aqui e ali em suas desigualdades ou divergências. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)
escolha sua cidade
Bauru
escolha outra cidade