Cédula de identidade, Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), título de eleitor, Carteira Nacional da Habilitação (CNH), certidão de nascimento e casamento são alguns dos documentos que fazem um cidadão existir perante a lei. Muitas pessoas, entretanto, vivem anos ou passam a vida toda sem documentação pessoal.
Para quem anda com a carteira recheada de documentos, cartões e diferentes números que a identificam de diversas formas, a vida não documentada parece uma realidade distante, embora seja freqüente na cidade.
É o caso de Vitória Firmino Barbosa, 68 anos. Ela nunca teve uma cédula de identidade. Nasceu em Barra Grande, nas proximidades do distrito de Tibiriçá, e atualmente mora em Bauru, no bairro rural de Rio Verde.
“Sempre trabalhei na roça, com serviço pouco em volta de casa, então não senti a necessidade de tirar e foi ficando assim. Nunca precisei. Nunca aconteceu de pedirem para mim”, conta.
O único documento que Vitória tem para provar sua “existência” é a certidão de casamento. “É o único”, reforça.
“Eu não saio de casa. Só saio quando vou ao médico. Passeios eu nunca fiz. Não participo de festa nem de nada. Sou uma pessoa fechada e acho que eu não precisaria de nada disso. Para mim, está bom assim. Nunca tive vontade de tirar RG”, revela.